Laís Bodanzky: resposta positiva dos jovens a seu filme é prêmio
Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil
RECIFE - Retrato da juventude brasileira, a comédia dramática As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzky, foi o grande vencedor da 14ª edição do Cine PE Festival do Audiovisual, encerrado na noite de domingo. Já em cartaz nas principais capitais brasileiras sua estreia nas salas pernambucanas foi adiada para o dia 7 em função do certame o filme cravou oito troféus Calunga, incluindo os de melhor Direção, Ator (Fernando Miguez) e Filme, segundo o júri oficial e o da crítica. A cerimônia foi precedida pela projeção de Continuação, de Rodrigo Pinto, documentário sobre o músico pernambucano Lenine.
Autora dos também premiados Bicho de sete cabeças (2000) e Chega de saudade (2007), a diretora paulista subiu várias vezes ao palco do Cine São Luiz joia dos tempos áureos dos cinemas de rua, recém-restaurado demonstrando nervosismo:
Toda vez que fico sabendo que alguém vai rodar seu primeiro filme dá vontade de ligar e dizer: Calma, tudo vai dar certo . Fazer cinema é uma montanha-russa comparou Laís, de 40 anos.
Saci-Pererê na mira
Lançado há duas semanas no Rio, As melhores coisas do mundo já foi visto por mais de 200 mil pessoas em seus 10 primeiros dias em cartaz. Laís espera que a vitória no Cine PE impulsione ainda mais a carreira do filme, cujo roteiro é resultado de uma série de pesquisas com grupos de alunos de várias escolas da grande São Paulo. Ela fala de cadeira: Bicho de sete cabeças, que ganhou sete Kikitos no Festival de Brasília, fez mais de 450 mil espectadores; Chega de saudade, que saiu de Brasília com os troféus de Roteiro, Direção e do Público, alcançou a faixa dos 200 mil ingressos vendidos.
O prêmio de um festival sempre chama a atenção para um filme, ainda mais em se tratando de um festival com forte apelo popular, como o Cine PE avalia Laís. Mais importante, alimenta o debate. Aqui, fui entrevistada por diversos jovens que disseram felizes por se verem retratados de alguma forma no filme. O cinema brasileiro não tem tradição de fazer filmes para essa faixa etária.
Agora, um dos possíveis projetos de Laís é voltado para o público infanto-juvenil:
É uma história inspirada na lenda do Saci-Pererê adianta a diretora.
A concentração de prêmios em torno do filme de Laís espelhou, na medida do possível, o nível dos títulos em competição. As melhores coisas do mundo chegou a dividir o prêmio de roteiro (de Luiz Bolognesi) com o controverso Sequestro, de Wolney Atalla, sobre as operações de resgate do Departamento Anti-Sequestro de São Paulo, que relacionava a guerrilha dos movimentos de esquerda ao boom da indústria do sequestro. É discutível também o prêmio de Trilha Sonora para Leo e Bia, de Oswaldo Montenegro, adaptação da peça homônima que tem contém o Hino à Bandeira na sua banda sonora. O filme ainda levou o prêmio de atriz (Paloma Duarte).
Premiado com o troféu de Ator Coadjuvante (Bruno Torres) no Festival de Brasília, o concorrente do Distrito Federal, O homem mau dorme bem, de Geraldo Moraes, teve sua segunda chance compensada no Cine PE com as vitórias nas categorias Ator (Torres) e Atriz Coadjuvante (Mariana Nunes) e do Júri Popular. Homenageado com o Prêmio Especial do Júri honraria concedida tradicionalmente apenas a filmes, e que equivale em festivais a um segundo lugar a atuação do veterano Rogério Fróes no drama Não se pode viver sem amor resultou na única vitória do novo longa do chileno (radicado no Brasil) Jorge Durán (A cor do seu destino). Fróes interpreta um taxista que morre e é ressuscitado por um menino com uma grande força de vontade.
Esperava ganhar um prêmio aqui, disputando o com Paulo José o troféu de melhor defunto brincou Fróes, citando o personagem-título interpretado pelo colega em Quincas Berro D'Água, de Sérgio Machado, exibido fora de competição.
No departamento de curtas-metragens, o paulista Baião, de Marcelo Caetano, ganhou o prêmio principal, dividindo as atenções com a produção pernambucana Recife frio, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu os de Direção e Roteiro. O prêmio da crítica foi para o inédito (no circuito de festivais) Geral, de Anna Azevedo e, segundo o público, o melhor curta foi A noite por testemunha, de Bruno Torres. O prêmio Aquisição Canal Brasil, escolhido por um júri de jornalistas, foi para Faço de mim o que quero, de Sergio Oliveira e Petrônio Lorena. Os filmes de Caetano, Mendonça e Torres já haviam sido premiados no Festival de Brasília de 2009.
