Cinema, música e fotos à italiana

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Braulio Lorentz, Jornal do Brasil

RIO - Para comemorar o aniversário de 63 anos da Itália como república, o Instituto Italiano di Cultura e o Consulado Geral da Itália promovem no Brasil a Festa da República Italiana atacando em todas as frentes. A começar pela cereja do bolo, com a noite de gala do dia 2 de junho, no Cine Odeon, no Centro. Três curtas-metragens são os aperitivos para o que vem na sequência: o violonista brasileiro Guinga e o clarinetista italiano Gabrielle Mirabassi sobem ao palco para musicar ao vivo o clássico mudo Pinocchio (1914), de Giulio Antamoro. Para fechar a noite, os dois músicos apresentam o repertório de Graffiando o vento, disco lançado na Itália em 2004 com músicas de Guinga.

Os festejos começam com o festival Foco de Cinema Italiano, segue com o concerto de La grande musica del cinema italiano e tem fim na exposição Fratelli d'Italia. Como se não bastassem eventos nos campos das artes plásticas, cinema e música, há também a já tradicional Festa Italiana. Entre 5 e 7 de junho, ela ocupa pela primeira vez o Forte de Copacabana.

Festa popular

Temos a tarefa de promover os laços entre a Itália e o Brasil e este evento resume bem nossa função: desenvolver programas culturais explica Rubens Piovano, diretor do Instituto Italiano de Cultura. Tudo nasce da ideia de voltar a celebrar o 2 de junho. Continua numa festa popular que costumava ser feita na praça perto do Consulado Geral da Itália, com estandes de comida e palco com música folclórica. É como se fosse uma festa junina. Precisamos conjugar a festa popular da comunidade italiana que quer se encontrar anualmente e o sentido mais cultural.

Guinga conta que foi convidado pelos italianos por ser artista de uma gravadora daquele país.

Tenho um relacionamento muito bom conta o músico. Já nos apresentamos juntos mais de 50 vezes na Europa e já tocamos no Brasil. Não há mistério, é só escolher o que vamos tocar.

O que mais causou surpresa, revela Guinga, foi saber que a dupla também vai sonorizar um longa-metragem.

Para mim é uma honra, porque é um convite que parte de fora do Brasil. É uma luta para ser reconhecido no país diz.

Piovano conta que foi uma ideia do clarinetista italiano a sonorização de Pinocchio, algo que ele já havia feito na Itália.

Mirabassi já fez isso sozinho. Foi uma experiência que quisemos muito repetir conta o diretor. Como no ano passado tivemos um sucesso enorme, estamos também organizando por conta própria uma exposição de um artista alemã.

Ele se refere à homenagem italiana ao centenário do Teatro Municipal feita por Matthias Schaller. Em Fratelli d'Italia, o alemão expõe 150 fotografias de teatros de ópera encontrados em diversas cidades da Itália. A exposição vai ser inaugurada em 18 de junho no MAM.

Na exposição se destacam os famosos teatros de ópera à italiana, erguidos depois de 1861 na pós-unificação nacional. Com estilo arquitetônico homogêneo, apresentam intenções políticas e culturais.

Medindo com maestria os cromatismos, tirando cuidadosamente as fotos do mesmo ponto de perspectiva e usando a mesma câmera em cada teatro, o artista produz um efeito visual que surpreende o visitante.

O concerto La grande musica del cinema italiano (A grande música do cinema italiano) está marcado para 10 de junho, na Sala Cecília Meireles. O festival conta com o trompetista Mauro Maur e a pianista Françoise de Clossey. No Rio, convidam o Quarteto do Rio de Janeiro para apresentar composições de Ennio Morricone, Giuseppe Piccioni e Nino Rota, com músicas que fizeram parte de trilhas sonoras de clássicos do cinema italiano.