Cineasta espanhola busca descrever Tóquio em Cannes
Agência AFP
JB ONLINE - O novo filme de Isabel Coixet, "Map of the sounds of Tokyo" conta com três astros: os atores Rinko Kikuchi e Sergi López, assim como a própria capital japonesa, cidade que a diretora diz adorar.
Como outro competidor do Festival de Cinema de Cannes - o filme do diretor de origem argentina Gaspar Noe "Enter the void" sobre a experiência do vício em drogas - a fita de de Coixet ilustra o aspecto e os sons de Tóquio, suas ruas adornadas por luzes neon, seus bordéis chamados eufemisticamente de "hotéis do amor" e os restaurantes de "noodles" nos bairros.
Coixet, nascida em Barcelona, deseja que a cidade tenha um aspecto excitante, mas não exótico. Está obsecada em explorar as identidades culturais em vez das diferenças.
"Existe sempre essa imagem do Japão e dos japoneses: a ideia de que os japoneses são muito diferentes, pessoas que vivem como se estivessem na frente de uma tela, gente que reage de forma diferente", disse Coixet neste sábado. "A primeira vez que fui ao Japão, há uns 15 anos, me senti em casa", acrescentou.
"Na Catalunha, dizemos sempre que somos o único país do mundo em que, enquanto jantamos, falamos do jantar seguinte", revelou. "Em Tóquio se faz exatamente o mesmo", completou.
"Map of the sounds of Tokyo" ("Mapa dos sons de Tóquio" em tradução literal) é focado em duas estrelas que flutuam na capital japonesa. Ryu (Kikuchi, indicada ao Oscar pelo filme "Babel") é uma pescadora taciturna que ocasionamente vira matadora de aluguel. David (Sergi Lópes, de "Pan's labyrinth"), um produtor de vinhos devastado pelo suicídio de sua namorada. Quando Ryu é contratada para eliminá-lo, o casal estabelece uma relação enigmática.
O filme de Coixet é um dos 20 filmes que competem por seu primeiro prêmio e já foi elogiado por apresentar a relação central sexual - que se desenvolve num quarto de hotel decorado como um vagão do metrô de Paris - de foma que destaca os prazeres do personagem feminino.
A revista "Variety" considerou o David protagonizado por López "quase perfeito" ao ansiar obedecer a sua companheira.
"Quando se faz um filme não se deixa em casa a personalidade", comentou Coixet, de 47 anos. "Sou mulher... É minha forma de expressar minhas fantasias sexuais. Nunca tive relações sexuais num hotel como este, mas por que não?", questionou a cineasta.
A assassina de aluguel encarnada por Kikuchi é á última de uma série de personagens femininos de caráter enérgico criados por Coixet, que escreveu ainda o roteiro da fita.
