Festival do Recife abre segunda com cineasta grego
Portal Terra
SÃO PAULO - A 13ª edição do Cine-Pe Festival do Audiovisual, conhecido informalmente como Festival do Recife, começa na noite desta segunda-feira, com a homenagem ao seu convidado de honra. O cineasta grego Constantin Costa-Gavras, radicado na França, vem exibir alguns dos filmes que lhe deram a fama de um dos principais nomes do cinema político mundial, a exemplo de Z (1969) e os mais recentes Amém (2002) e O Corte (2005).
Mas a atração da abertura será seu mais novo filme, Eden à l'Ouest, exibido fora da competição do último Festival de Berlim, onde Gavras já havia confirmado presença em Recife e comentado suas expectativas.
- Será a quarta visita ao Brasil, onde já estive para lançar filmes (O Corte foi lançado no Festival do Rio) e também para pesquisar para algumas de minhas produções nos anos 70, quando era bem complicado levantar dados políticos sem atrair a atenção do governo- lembrou em entrevista na Berlinale.
- Mas agora estou ansioso para saber da reação de um público, que me disseram ser jovem, ao filme- acrescentou.
Eden à l'Ouest, numa tradução direta "paraíso a oeste", trata da imigração com foco num imigrante ilegal sonhador interpretado por Riccardo Scamarcio e seu desejo de chegar a Paris.
A noite de segunda-feira não será só de festa no palco do Cine Teatro Guararapes. Será exibido também o primeiro bloco de curtas-metragens no formato digital em competição. Na noite seguinte, a maratona competitiva começa de verdade. Neste ano, cinco longas-metragens, de um total de 66 inscritos, disputam o Troféu Calunga.
Três são ficções: Estranhos, produção baiana de Paulo Alcântara; Mistéryos, concorrente paranaense com direção de Pedro Merege e Beto Carminatti; e o representante carioca Praça Saens Peña, dirigido por Vinícius Reis.
Os documentários, linguagem com presença sempre marcante nos festivais, estão representados pelo carioca Alô, alô, Terezinha, de Nelson Hoineff, cujo título torna óbvio a abordagem do personagem Chacrinha, e por Um Homem de Moral, produção paulista de Ricardo Dias sobre o compositor (e zoólogo) Paulo Vanzolini. Um último documentário, O Homem que Engarrafava Nuvens, do pernambucano Lírio Ferreira, será exibido fora da competição no encerramento do festival, marcado para o próximo domingo, dia 3 de maio.
Trata-se de um resgate da trajetória pessoal e da obra de Humberto Teixeira (1915-1979), compositor, advogado, deputado federal e um dos criadores da lei de direitos autorais. Também conhecido como "O Doutor do Baião", o parceiro de Luiz Gonzaga é autor da popular Asa Branca e, curiosidade adicional, pai da atriz Denise Dumont, que assina a produção do filme.
Houve uma pequena redução no número de inscritos entre os longas-metragens, que no ano passado foram 77 produções.
- Mas no geral, com todos os produtos audiovisuais, não houve queda de inscrições, pelo contrário, até aumentou- avalia Alfredo Bertini, diretor do festival e um dos organizadores, ao lado da mulher Sandra.
- Claro que o digital, o custo mais barato para se produzir documentários, entre outras oportunidades, são fatores perceptíveis que mudaram o perfil dos inscritos; mas essa tendência é defensável pelas circunstâncias atuais- disse.
Realizada pela primeira vez no ano passado, a Mostra Pernambuco, também de caráter competitivo, volta a ocorrer esse ano com a presença de três longas-metragens e dezessete curtas, todos realizados no território pernambucano. Participam os longas KFZ 1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso; Geração 65: Aquela Coisa Toda, de Luci Alcântara; e Pela Vida. Pelo Tempo, de Wilson Freire.
- A iniciativa é uma conseqüência natural do crescimento da produção local; a mostra vingou no ano passado justamente por isso. É uma ótima sacada, mas nenhuma novidade, já que Brasília e Gramado já adotam esse modelo- diz Bertini.
Bertini explica que não haveria espaço na grade nacional do festival para atender a demanda de trabalhos realizados no Estado e não acredita que a existência desse recorte específico possa afastar os realizadores locais da mostra competitiva oficial.
- Não haveria como exibir no festival tantos trabalhos pernambucanos; até porque é preciso sustentar a característica do Cine-Pe de ser uma vitrine nacional, heterogênea e rica da cultura audiovisual do País- afirma.
Para afirmar essa característica, ele lembra que as oficinas e os seminários também têm função importante na programação do festival e formação de público. Nesta edição, vai se discutir economia e cultura, o formato digital e cinema e literatura. Mas o que faz a fama de popular do Festival do Recife são suas principais atrações, os filmes, todos inéditos.
- Não há hoje outro lugar no Brasil que seja capaz de colocar mais de três mil pessoas numa sala de cinema, numa única noite, para ver cinema nacional- garante Bertini.
