Grupo americano Less Than Jake lança no Rio seu sétimo disco
Ricardo Schott, Jornal do Brasil
RIO - Nascido em Gainesville, Flórida, nos EUA, o músico Roger Manganelli, 35 anos, tem raízes brasileiras: é filho de gaúchos, foi criado falando português (e o faz ainda hoje unindo o sotaque americano a um sinuoso acento dos Pampas) e suas recordações musicais estão ligadas aos discos de samba e de Roberto Carlos que sua mãe ouvia durante sua infância. Baixista e vocalista do grupo de skacore americano Less Than Jake que toca neste sábado no Circo Voador, onde lança seu sétimo CD, GNV FLA (2008) Manganelli diz ao Jornal do Brasil alegrar-se com o fato de sua banda manter uma boa base de fãs no Brasil só com o boca a boca: mesmo sem uma distribuição consistente de seus trabalhos por aqui, o LTJ atraiu a atenção de cerca de 3 mil fãs tanto no Rio quanto em São Paulo quando se apresentou no país em 2007. Agora, voltam em turnê.
É impressionante. Sempre há fãs mandando e-mails pedindo para voltarmos aqui. Só agora conseguimos diz Manganelli, que uniu-se a Chris Demakes (guitarra, vocal), Vinnie Fiorello (bateria), Buddy Goldfinger Schaub (trombone e baixo) e Peter JR Wasilewski (sax) nos anos 90, tendo tempo de surfar na mesma onda neo-punk que deu origem a bandas platinadas como Green Day e Offspring. Tivemos muita sorte. Nunca tivemos uma presença grande no rádio, nem vendemos um milhão de cópias. Mas sempre vão muitos fãs em nossos shows. E todos podem esperar muita energia e um rock feito para pular.
Nome veio de um cão
Vocalista e guitarrista da banda Madame Machado, também dedicada ao ska-punk e responsável por abrir o show do LTJ no Rio, Bema Machado é um dos fãs que a banda conquistou no Brasil após quase duas décadas de trajetória.
Escuto o LTJ há muito tempo e é bem o que a gente faz, mas com uma queda maior para o hardcore ressalta Machado. Eu os vi no Circo em 2007 e o show é muita pressão, eles não param um minuto sequer no palco.
Fundado em 1992 por Manganelli, Demakes e Fiorello (que inspirou o nome da banda graças a seu buldogue Jake, que era tratado como um bibelô pelos pais do músico), o LTJ hoje é uma banda totalmente independente. GNV FLA (o título refere-se ao código aeroviário da cidade natal da banda) marca a estreia do selo próprio do grupo, Sleep It Off Records. Mas chegaram a passar pelas grandes multinacionais em duas ocasiões.
Após uma turnê em que percorriam cidades numa van comprada com dinheiro emprestado pela mãe de Manganelli, tiveram um êxito independente com a estreia Pezcore (1995) e com o EP-sátira Greased (1996, com versões de temas do filme Grease em tom ska-punk), o que os levou a serem fisgados pela Capitol Records. Lá registraram Losing streak (1996) e Hello rockview (1998). Depois transferiram-se para a Sire Records, pela qual lançaram Anthem (2003), produzido por Rob Cavallo (responsável por Dookie, primeiro disco de sucesso do Green Day, de 1994).
Nos anos 90, lembro que, de uma hora para outra, as gravadoras começaram a querer bandas de ska e de punk. Bandas como Mighty Mighty Bosstones começaram a fazer sucesso recorda Manganelli. Eles contratavam todas. A mais bem sucedida das que estavam naquela vibração foi o No Doubt. Mas depois cansamos de brincar com as majors, queremos fazer tudo sozinhos.
Apesar da magnitude que já alcançaram no passado, Manganelli diz que o formato atual é condizente com o DNA do Less Than Jake.
Somos rapazes de Gainesville, não de Chicago ou Los Angeles. Sempre tivemos o que eu chamo de small town attitude conta. Tocávamos em qualquer lugar no começo. Fizemos show até nos fundos da casa de um cara, ao lado da piscina. Quando entramos na Capitol e gravamos um disco em Miami, no mesmo estúdio em que o Julio Iglesias gravava, achamos legal entrar naquele mundo de business. Mas nunca nos achamos melhores ou piores do que outras bandas.
Além do LTJ, os músicos dedicam-se a projetos paralelos (como produzir outros grupos) e hobbies inusitados. Todos da banda tem coleções de dispensers de drops Pez, que eram uma febre no Brasil nos anos 70 que inspiraram até o nome do primeiro álbum da banda, Pezcore.
Hoje temos coleções enormes, até com alguns muito velhos. Os fãs até mandam de presente para a gente afirma.
