Nove Mil Anjos, banda de Junior, Champignon e Peu, estréia no MySpace
JB Online
RIO - Se o nome do grupo, fruto de um sonho do guitarrista Peu Sousa, não é dos mais usuais, o mesmo não pode ser dito da formação do Nove Mil Anjos. A banda tem Champignon (ex-Charlie Brown Jr) no baixo, Junior Lima (ex-Sandy) na bateria, Peu (ex-Pitty) e, o menos famoso da turma, o vocalista Perí.
A estréia pode ser ouvida desde ontem no MySpace do quarteto (myspace.com/novemilanjos). O álbum tem 12 faixas produzidas pelo argentino Sebastian Krys, que já trabalhou com Gloria Estefan e Ricky Martin, além de ter produzido o último CD de estúdio de Sandy & Junior, de 2006.
Após aparecimento no VMB, premiação da MTV, em outubro, quando tocaram o single Chuva agora, foram vistos no festival Pop Rock Brasil, este mês, numa curta apresentação em Belo Horizonte. Agora partem para o teste em CD. Por aqui, foram reprovados.
A música é medíocre, mas letras são piores
Braulio Lorentz
As desleixadas fotos em preto e branco do quarteto, na mesma Los Angeles em que o álbum foi concebido, não dizem nada sobre o novo projeto do baixista mais querido da audiência da MTV (Champignon) e da metade da empreitada jovem mais bem-sucedida das últimas décadas (Junior). Não há nada de áspero ou mesmo clássico no pop rock do grupo completado por Peu e Perí. Sebastian Krys tem uma dúzia de chances para provar que não entende muito bem da crueza buscada pela turma fã de Neil Young: no fim do vídeo de apresentação do projeto, foram flagrados assassinando Hey hey, my my.
O som azeitado, mas com o peso da mão de quem tem Sandy, Junior e Shakira no currículo é limpo e moldado para ouvidos adolescentes. O CD não vai fazer feio se intercalado por uma audição do novo do Nickelback. É como uma retrospectiva das bandas brasileiras da década passada, que pensam que o rock começou com Red Hot Chili Pepers. Fazer lembrar O Surto e ser bom são duas características incompatíveis.
E, quando se pensava que nada poderia ser pior, as letras jogam as pretensões do grupo no chão. "Precisamos de maior nível cultural de uma maneira geral", conclama Perí em Chuva agora. E que tipo de susto você vai tomar, se em seu lugar estiver um espelho? , indaga em Espelho. Ah, se fosse instrumental...
Peso e ingenuidade que assustam
Ricardo Schott
Não se entusiasme muito com o Nove Mil Anjos. Se você se animou com a sonzeira de Chuva agora, o primeiro single uma pancadaria mais ligada ao metal-funk dos anos 90 saiba que o álbum de estréia da banda de Junior tem outras no mesmo nível. São os casos da pesada e suingada Ainda há tempo, com um riff roubado das bandas da década passada que copiavam Aerosmith e Led Zeppelin (como o Stone Temple Pilots) e da balada pesada Misturando coisas. O problema é que nem sempre o grupo cumpre o que promete em especial em se tratando das letras, ingênuas ao extremo.
Tentam passar uma imagem zen em O rio (cujo refrão é Não apresse o rio/ele corre sozinho , copiado do título de um livro do psicoterapeuta Barry Stevens) e reproduzem a raiva adolescente de 15 anos atrás na funkeada Espelho. A despeito disso, unindo os caracteres grunge dessas músicas a toques new rave (como na eletrônica e pesada Visionário), o grupo consegue impressionar. Mas o nível cai na tentativa de balada beatle Projétil, com um dos refrões mais chatos da história do rock nacional ( Ir sem querer, pro outro lado , repetido ad nauseam) e no clima quero-ser-Los-Hermanos de Stripper. Em ambas as músicas, o grupo deixa de recordar o melhor da década passada para lembrar o lado ruim do rock independente nacional que impera hoje.
