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Pré-estréia do documentário 'Pretérito perfeito' enche a Casa Rosa

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Coluna Heloisa Tolipan, JB Online

RIO - No que depender da quantidade de gente que compareceu ontem à pré-estréia do documentário Pretérito perfeito, de Gustavo Pizzi, no Unibanco Arteplex, em Botafogo, a produção já é um sucesso. Com muitas pessoas de fora e outras queconseguiram um espacinho para chamar de seu na escada do cinema, o filme - uma investigação sobre os tempos de prostíbulo da Casa Rosa, que, no século passado, costumava reunir atores, políticos e jogadores de futebol em uma happy hour para lá de especial - arrancou algumas risadas do público. Pudera. Sexo, afinal, sempre mexe com o imaginário das pessoas.

De acordo com Cavi Borges, cineasta, dono da locadora Cavideo e produtor do doc, a grande procura deve um bocado ao projeto inovador de divulgação, feito em parceria com a Pipa Produções.

- Compramos dois mil ingressos do nosso bolso. Distribuímos em Ongs e escolas de cinema. A intenção é gerar público nas duas primeiras semanas de exibição, que determinam a carreira de um filme, e gerar boca-a-boca.

Estão incluídos no projeto de divulgação outras três estréias: Meu Brasil, Memória para uso diário e Lapa. A idealizadora do projeto, Isabelle Cabral, da Pipa, contou à coluna que, para o ano que vem, 10 filmes poderão ser beneficiados. A Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, apoiou e patrocinou o projeto.

Presente no evento, a prostituta Ivanilda Santos de Lima, personagem do filme e da vida real da Casa Rosa, garante que mesmo depois de se ver na telona e de imaginar que centenas de pessoas podem ouvir a sua história, não se arrepende de nada do que disse e muito menos do que fez. Outro personagem que também deu o ar de sua graça no evento foi Roberto Amaral, o Marujo, célebre cliente da casa. Quando perguntado se havia dormido com Ivanilda ele disse que não, mas que poderia muito bem ter dormido. Apreciador de conhaque francês e uísque, o senhor de farta barba branca disse que se divertiu bastante durante as duas horas de gravação do depoimento, mas que as várias doses duplas tomadas na casa foram pagas por ele mesmo.

Depois da sessão, a platéia seguiu para o cenário do documentário: a própria Casa Rosa, em Laranjeiras, que desde os anos 90 se tornou point da garotada carioca apreciadora de música, cerveja e sinuca. Para entrar no clima de bordel, funcionárias da casa se vestiram de profissionais do sexo. As melindrosas do século 21 usaram meia-arrastão e plumas para distribuir pirulitos em forma de coração e camisinhas com lubrificante quente. Foi bom para você?