Tilda Swinton diz que Oscar e Hollywood são bons, mas não tudo

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Portal Terra

VENEZA - A atriz inglesa Tilda Swinton, protagonista de Burn After Reading, filme dos irmãos Joel e Ethan Coen fora de competição, está vivendo uma experiência inédita como estrela presente no Festival de Veneza.

- É fascinante o que acontece aqui, mas ao mesmo tempo é tão fácil perder a noção do que é real e do que importa- disse ela durante um encontro com jornalistas.

Em um grupo pequeno, diferente da coletiva de imprensa confusa e constrangedora pelas questões levantadas, Tilda estava mais à vontade e perguntou a opinião dos profissionais sobre o que havia se passado ali.

- Eu relaxei e fiquei observando. Pensei no porquê das pessoas precisarem saber se (George) Clooney vai casar, se Brad (Pitt) terá mais filhos, se eu fico à vontade numa cena de amor- afirmou, referindo-se aos famosos colegas de elenco.

- Pode ser uma grande experiência examinar essa necessidade- brincou.

Tilda Swinton, atriz cult nos anos 80 do cineasta gay Derek Jarman em filmes como Caravaggio e Edward II, sabe que está se tornando cada vez mais conhecida do grande público. E a evidência, claro, foi declarada com o Oscar de atriz coadjuvante por Conduta de Risco (Michael Clayton), em que também atua com George Clooney. A pergunta inevitável é o que mudou em sua vida.

\"- E a resposta inevitável é que claro que muda, mas o grau de mudança é a pessoa que define e no meu caso o Oscar foi um grande reconhecimento, mas tem seu lugar ao lado de muita coisa importante a que me dedico- declarou.

Também é evidente que sua carreira tem se aproximado cada vez mais do cinema americano, e se poderia arriscar, de Hollywood.

- Não é verdade que faço filmes ou vou em busca dessa marca Hollywood. Não que tenha algo contra, ou me nego, mas a questão é que busco colaboradores, pessoas com que me interesso de trabalhar, trocar experiências. Hollywood e Oscar são coisas muito boas, mas são também uma parte de todo o processo, é importante que isso fique claro- disse.

O encontro com os Coen, segundo ela, é um exemplo do que procura no seu ofício.

- É tudo tão fácil, seguro e perfeito com eles. Têm o domínio de tudo, do roteiro ao set de filmagens, e isso é raro, muito raro eu lhes digo- contou.

Quanto à trama e seu personagem, uma médica fria e calculista que trai o marido e o despacha de casa quando este (John Malkovich) perde o emprego de analista da CIA, ela diz intepretar tudo de um ângulo muito pessoal.

- Acho que todas as relações na história são baseadas numa paranóia, tem um lado muito humanista como se fosse tirado de Jonathan Swift (escritor), mas que se deteriorou no nosso tempo. Mas isso é uma opinião minha e não necessariamente de Joel e Ethan- finalizou