Autor destaca diferenças e semelhanças entre Renato Russo e Cazuza
Leandro Souto Maior, JB Online
RIO - Uns podem sentir a falta de Arnaldo Antunes, mas é inegável que Renato Russo e Cazuza estão entre os principais poetas surgidos nos anos 80. E são apenas os dois o foco do livro de José Roberto Silveira, Renato Russo & Cazuza, a poética da travessia (Malta Editores), que acaba de ser lançado.
Diferente dos mais comuns livros biográficos, este lançamento reunindo dois grandes nomes da música brasileira destaca a poesia dos artistas. Letras e personalidades são comparadas e diferenças e similaridades expostas. Uma abordagem interessante para quem quer travar contato com a obra dos poetas-letristas por um ãngulo que não a tradicional história contada de de maneira cronológica. Indicado tanto para iniciantes quanto para iniciados nas biografias dos dois.
- Os dois são cantores e compositores de suas próprias obras e sempre trabalharam com um conteúdo muito confessional, mas eu diria que o Cazuza é mais esculachado e fala de amores de perdição. Já o Renato Russo é mais metafórico e procurava um amor de salvação - compara José Roberto Silveira, na cerimônia de lançamento do livro nesta segunda-feira, na livraria DaConde, no Leblon.
Contemporâneos, Russo e Cazuza não sofrem do maniqueísmo que muitas vezes separa Beatles e Rolling Stones, por exemplo. Pelo contrário. Costumam ser igualmente admirados pelos fãs.
- O rock dos anos 80 não tinha a intenção de ser uma escola, como talvez tenha sido a Tropicália. Apesar disso, até hoje artistas bebem naquela sonoridade - destaca o autor.
Renato Russo & Cazuza, a poética da travessia é resultado da tese de mestrado de Roberto Silveira, na Universidade Federal de São João del-Rei (MG). Idealizado como um projeto acadêmico, o livro promete imprimir sua marca entre os lançamentos sobre música e músicos do Brasil.
- Foi uma forma que encontrei de manter viva parte da memória cultural do país - conclui.
