Morre a escritora Zélia Gattai

Por

JB Online

RIO - Morre a escritora Zélia Gattai, no Hospital da Bahia. A viúva de Jorge Amado foi internada no dia 30 de março, no Hospital Aliança, com quadro de insuficiência renal por causa de infecção urinária, tendo sido posteriormente transferida para o Hospital da Bahia.

Filha de imigrantes italianos e caçula de cinco irmãos, Zélia Gattai nasceu no bairro Paraíso, em São Paulo, em 1916. Sempre ativa, Zélia participou, desde cedo, de movimento político-operário anarquista, junto a diversos imigrantes italianos, espanhóis e portugueses conhecida como "Colônia Cecília".

Aos 20 anos, Zélia se casou com Aldo Veiga, militante político ligado ao Partido Comunista. Graças à união, conheceu renomados intelectuais como Oswald e Mario de Andrade, Tarsila do Amaral e Vinícius de Moraes. Do casamento, que durou até 1945, nasceu, em 1942, o filho do casal, Luís Carlos.

No ano de sua separação, conheceu o escritor Jorge Amado, de quem já era admiradora. Zélia passou a trabalhar a seu lado, em favor dos presos políticos. Alguns meses depois, casaram-se, originando uma das mais duradouras e prolíficas uniões da literatura brasileira.

Em 1947, já no Rio de Janeiro em função da nomeação de Jorge Amado para a Câmara Federal, Zélia deu à luz ao filho João Jorge. Um ano depois, com a entrada do Partido Comunista para a clandestinidade, a família teve que se exilar em Paris, onde viveram por três anos. Na cidade da luz, Zélia Gattai fez cursos de Civilização Francesa, Fonética e Língua Francesa na Sorbonne.

Durante o período em que viveram na Tchecoslováquia nasceu a filha Paloma, e o seu amor pela fotografia. Zélia tornou-se, então, responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida de Jorge Amado e de sua família.

Com o retorno ao Brasil e a Salvador, em 1963, Zélia se dedicou cada vez mais ao seu laboratório de fotografia, na casa do Rio Vermelho. A consagração de seu trabalho veio com o lançamento da fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem Incompleta .

Romancista e memorialista

Contadora de histórias por vocação, Zélia começou a escrever aos 63 anos e até hoje brinca com o fato de ser chamada de escritora, mesmo depois de ter sido eleita imortal da Academia Brasileira de Letras.

Seu primeiro livro, o romance "Anarquistas, graças a Deus", é um relato da vida dos imigrantes italianos na São Paulo do começo do século. Em 1982, Zélia publicou Um chapéu para viagem, no qual conta histórias sobre o fim da Segunda Guerra Mundial e a redemocratização do país.

Memorialista consagrada, após a morte de Jorge Amado, Zélia Gattai se dedicou ao resgate das histórias de sua vida com o escritor baiano. Em Um Baiano Romântico e Sensual e Códigos de Família , a escritora lembra o período na casa do Rio Vermelho. A romancista também escreveu livros para o público jovem.

Ao lado de Jorge, Zélia viveu 56 anos, mas depois da morte de Jorge, Zélia achou que não fazia mais sentido ficar ali e decidiu abrir a casa para a legião de amigos e admiradores do escritor.