Musical 'A noviça rebelde' re-inaugura o Teatro Casa Grande
JB Online
RIO - Há quase 50 anos o musical A noviça rebelde (The sound of music) era montado pela primeira vez na Broadway. O sucesso da produção - vencedora de oito prêmios Tony - marcou o início de uma carreira sem precedentes para a história de amor entre a jovem noviça e o capitão viúvo e pai de sete filhos, com destaque para a versão para o cinema em 1965, premiada com cinco Oscars.
Agora, popular musical chega ao Rio na versão brasileira de Claudio Botelho, com direção de Charles Müeller. O espetáculo marca também a re-inauguração, no dia 22, do agora remodelado e rebatizado Oi Casa Grande, no Leblon.
Kiara Sasso (Maria Rainer) e Herson Capri (Capitão Georg von Trapp) estão à frente de um elenco de 44 atores/cantores, que se revezam entre 31 personagens.
- Queríamos fazer este espetáculo não apenas por ter algumas das canções mais encantadoras e populares já compostas para musicais, mas também pelos valores que ele traz, de amor, superação, lealdade, idealismo e solidariedade - explica Charles Müeller.
Após receber a permissão da Rodgers & Hammerstein Theatricals - agência detentora dos direitos do musical - o próximo passo foi a escolha do elenco.
- Para uma produção como esta, precisávamos de bons atores e ao mesmo tempo bons cantores para interpretar canções, que exigem bastante da voz - resume Claudio Botelho.
Além de Herson e Kiara nos papéis principais, a produção reuniu nomes como Fernando Eiras (Max Detweiler), Solange Badim (Baronesa Elsa Schraeder), Mirna Rubim e Vera do Canto e Mello (Madre Superiora), Ada Chaseliov (Frau Schmidt), Dudu Sandroni (Franz), Ricca Barros (Almirante von Schreiber), Bruno Miguel (Rolf Gruber), Cássio Pandolfi (Herr Zeller), Claudia Costa (Irmã Berthe), Letícia Medella (Irmã Sophia) e Ana Zinger (Irmã Margaretta).
Além da atuação e do canto, a coreografia, a cargo de Dalal Achcar, é outro ponto determinante na preparação do elenco de um musical.
Para interpretar os sete filhos do Capitão von Trapp foram ouvidas cerca de 500 crianças, submetidas a uma série de audições até a escolha de apenas 20 para formar três elencos completos.
Cerca de cem profissionais estão envolvidos diretamente na realização do projeto, entre direção, elenco, técnicos e produção. Somente para construir os onze cenários criados por Rogério Falcão, que pesam ao todo mais de seis toneladas.
A montagem brasileira é estritamente baseada no texto e músicas escritos para o palco, e não no filme estrelado por Julie Andrews. A história e as canções são, em sua quase totalidade, as mesmas, mas o lado político que o filme de certa forma evita é mais forte na peça.
- Esta é a produção brasileira de um musical da Broadway. Não há grandes mudanças na adaptação do texto e das letras, por exemplo, mas existe uma preocupação de fazer tudo compreensível ao espectador brasileiro. Estrangeirismos desnecessários foram cortados ou adaptados - ressalta Charles.
Teatro Casa Grande
Palco de grandes espetáculos e centro de resistência política, o Teatro Casa Grande volta como um dos mais modernos e equipados teatros brasileiros. Inaugurado em 25 de agosto de 1966 pelos amigos Max Haus, Moysés Ajhaenblat, Moysés Fuks e Sérgio Cabral, o espaço se notabilizou não apenas como palco de espetáculos antológicos mas também por ter se transformado em um centro de resistência de artistas e intelectuais durante o regime militar. Estavam lá nomes como Antonio Callado, Ferreira Gullar, Sérgio Cabral, Plínio Marcos, Zuenir Ventura, Antonio Houaiss, Chico Buarque, Rubens Gerschman, Yan Michalski, entre muitos outros.
Em seu palco se apresentaram Chico Buarque e Maria Bethnia, Elis Regina, Gal Costa, Paulinho da Viola e Milton Nascimento, entre outros. Além de grandes shows, produções teatrais ocuparam o palco do Casa Grande. O burguês ridículo foi o último espetáculo em cartaz antes do incêndio que destruiu o local em 1997. Depois disso, o teatro funcionou precariamente em um galpão até 2003, quando fechou definitivamente.
Rebatizado de Oi Casa Grande, o teatro reabre suas portas com capacidade para 950 espectadores, um palco de 20 metros de altura e 13 metros de boca de cena, fosso para orquestra, telões e 12 camarins.
A noviça rebelde será apresentada a partir de 22 de maio, às quartas, quintas e sextas às 20h30, sábados às 16h e 20h, e domingos às 16h. O Oi Casa Grande fica na Avenida Afrânio de Mello Franco, 290, no Leblon. Informações: (21) 2511-0800.
