Leandro Sapuachy se apresenta como a nova 'voz do morro'

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Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Depois de lançar um primeiro CD e se destacar também como produtor - dos recentes trabalhos de Maria Rita e Arlindo Cruz - o músico Leandro Sapucahy se prepara para gravar seu primeiro DVD, Favela Brasil, nesta quinta-feira, na Fundição Progresso. A gravação vai reunir amigos, como Arlindo Cruz, Leci Brandão, Marcelo D2, MC Marcinho, MC Marechal e Fernandinho Beat Box, e vai contar também com a participação virtual de Seu Jorge, que não podendo estar presente, gravou um depoimento que será projetado num telão durante o show. A apresentação vai marcar a estréia de Regina Casé na direção cênica de um show. O sambista conversou com o JB Online sobre o momento especial que vive em sua carreira.

JB Online: Como vai ser a gravação do DVD?

Leandro Sapucahy: Eu noto que os DVDs que têm sido lançados são muito previsíveis. Eu vou tentar dar uma 'quebrada', para não ficar cansativo. Vai ser um cenário com material verdadeiro, com caixa d'água, mesa de bar, um cara de chinelo, outro de telefone na cintura, a vida como ela é, com todo mundo à vontade, nada daquela banda arrumadinha, com todo mundo de cabelo arrumadinho. Eu me considero a voz do morro de todas as comunidades, não me vendo, não engano as pessoas, sou transparente.

JB Online: Como se deu a entrada da Regina Casé na direção cênica?

Leandro Sapucahy: Ela sempre me ajudou demais, desde o início da minha carreira. Fez matéria comigo no Fantástico, usou músicas minhas em diversos programas, o que me deu uma projeção enorme. Depois eu fui na casa dela, e falamos das músicas contarem uma 'historinha'. Quando contei que queria fazer um DVD, ela disse que ia me ajudar no que pudesse para fazer uma encenação para essas 'historinhas'. Nesse aspecto sou zero e ela sabe tudo! Vou tentar não decepcioná-la.

JB Online: Como foi feita a escolha dos convidados para a gravação?

Leandro Sapucahy: Foram as pessoas que estavam em volta mesmo, as mais próximas. Eu produzi o CD do Arlindo. A Leci Brandão tem comigo afininades no universo da consciencia negra. O Marcelo D2 é um parceiro que trabalha comigo há um tempão, e que gravou comigo a música que estorou no meu primeiro CD. O funk é um movimento das comunidades, a grande distração do cara da comunidade, e vai estar representado pelo MC Marcinho. Enfim, vai ser uma mistura de pagode, samba e funk.

JB Online: As pessoas se referem a pagode e samba para rotular um ou outro artista, muitas vezes com preconceito. Como você vê isso?

Leandro Sapucahy: O nome 'pagode' ficou estigmatizado com os grupos, mas na verdade é a mesma coisa. O maior sambista do brasil se chama Zeca Pagodinho, então essa distinção não procede. Se tem cavaco, tantã e pandeiro, é tudo samba. É igual a falar que o rock do Charlie Brown Jr é diferente do rock de outro grupo. O genero é um só, só que cada um segue o seu caminho.

JB Online: Você está vai lançar um DVD. Qual sua posição em relação á pirataria?

Leandro Sapucahy: Esse assunto passa pela minha cabeça, principalmente por causa da gravadora, que é a grande investidora. A situação é grave, a grande maioria das pessoas não tem dinheiro, e o que sonho o tempo todo é numa igualidade financeira e social para que esse problema seja resolvido. Idéias como instalar um novo processo de prensagem para bloquear as cópias não vai resolver, o que resolve é abaixar o preço, porque a corda arrebenta no mais fraco.

JB Online: Como produtor, você realizou trabalhos de bastante repercussão. Pretende continuar investindo nessa atividade?

Leandro Sapucahy: Os dois ultimos trabalhos que fiz deram resultados ótimos. Quero produzir artistas grandes e talentosos e que eu acredite. A medida que forem aparecendo oportunidades esses artistas, eu gostaria de produzi-los sim. Eu vejo que a concepção do produtor mudou hoje em dia. Antes eles faziam tudo, mas hoje os artistas opinam muito. Mas ainda acho de uma importância enorme, porque quem tá de fora vê o trabalho de uma maneira diferente. As pessoas acham que o produtor só trabalha dentro do estúdio, mas ele tem que pesquisar mercado, o público. Tudo o que eu sempre procurei fazer quando estive nesta posição.

JB Online: Como está a expectativa para a gravação do DVD?

Leandro Sapucahy: É uma emoção forte. Embora a gente possa refazer erros em estúdio, o ideal é acertar tudo e garantir a aperformance ao vivo. A banda ensaiou bastante, mas dar tudo certo é praticamente impossíve.,Tem muita coisa pra acontecer e certamente uma coisa ou outra deve ter que ser refeita. Esse tipo de gravação cansa o publico, a gente vai tentar fazer da maneira mais pratica para que o lance corra normalmente e para que seja um momento de divertimento e alegria. Minha intenção é abrir um novo caminho fazendo um lance diferente, com esse conceito da Regina Casé, de fazer uma coisa mais teatral. Estou contando com a ajuda de muitos profissionais competentes, acredito que vai dar tudo certo!