Robô C-3PO de 'Star Wars' diz que não quer ser sombra de personagem

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Danilo Lima, Portal Terra

SÃO PAULO - Depois de uma rápida passagem pelo Brasil em setembro do ano passado, o ator Anthony Daniels, 61 anos, intérprete do robô C-3PO, chegou a São Paulo para promover a exposição que traz peças e fantasias originais utilizadas nos seis filmes da série Star Wars.

Ao se reunir com jornalistas na manhã de hoje, Daniels disse que, apesar de ter se dedicado a divulgar a franquia nos últimos 30 anos, não vai passar o resto da vida na sombra de seu personagem.

- Dá muito trabalho ser C-3PO. Acho que estou ficando velho - citou o ator.

Vestido com blazer preto e falando calmamente com um típico sotaque britânico, Daniels pouco lembra o robô medroso e pacífico da franquia.

É difícil acreditar, inclusive, que ele é o único ator que coube no limitado traje do personagem, um dos motivos pela qual ele repetiu o papel por seis vezes.

Anthony Daniels entrou em estúdio para viver C-3PO quando tinha 30 anos e acreditava construir uma sólida carreira cinematográfica. Como próprio definiu, a maior dificuldade em dar vida ao personagem naqueles dias era seu cabelo avantajado, que muitas vezes impossibilitava que o capacete robótico entrasse sem deixar alguns fios do lado de fora.

Hoje, com cabelos grisalhos e ralos, o ator promove os filmes da série pelas exposições que são organizadas em diversos países e ainda se surpreende ao ser reconhecido nas ruas por uma parcela de fãs realmente fieis.

- Grande parte das pessoas que chegam em mim são pais de família. Nas exposições, eles levam os filhos que me encaram de forma desconfiada - relembra o ator.

Apesar de acompanhar a evolução de Star Wars ao longo dos anos, Daniels não sente que o tempo favoreceu os filmes.

- Falta um pouco de alma por causa da tecnologia. Lembro que o robô R2-D2 era puxado com uma cordinha. Neste último filme eu contracenava com uma tela azul - lamenta.

O desconforto com os efeitos especiais foi tamanho, que Daniels chegou a ensaiar com o aspirador de pó que ficava no depósito do cenário.

- O mais incrível é que existiam pequenos seres dentro daqueles objetos que pareciam tomar vida. Hoje em dia o computador substitui esses aparatos.

Sem se separar da réplica em miniatura de seu personagem, o ator assumiu que não acreditava que o primeiro filme da saga, lançado em 1977, fosse se tornar o sucesso que virou.

- Era uma história muito louca. Uma vez que você aceita o emprego, tem que trabalhar. George Lucas merece - elogia.

A Exposição de Star Wars no Brasil será aberta nesta quarta-feira e fica até o dia 29 de junho no Porão das Artes, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.