Hermano Penna defende os filmes de baixo orçamento em Gramado
Márcio Rodrigo, Agência JB
GRAMADO -
Em debate realizado esta manhã sobre e seu filme "Olho de Boi", exibido ontem à noite na Mostra Competitiva Brasileira, do 35º. Festival de Cinema de Gramado, o cineasta Hermano Penna defendeu a importância dos editais dde baixo orçamento, os chamados " B.O.", do Ministério da Cultura para o cinema brasileiro.
"O B.O. dá oportunidade de realizarmos um cinema mais autoral", diz citando filmes como "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis como exemplo de bom uso deste tipo de edital.
Autor de "Sargento Getúlio", um dos melhores filmes brasileiros dos anos 80, adaptado da obra homônima de João Ubaldo Ribeiro, Penna aproveitou a discussão sobre os filmes B. O. para tocar numa outra questão bastante espinhenta do atual cinema brasileiro: o alto custo das produções.
"Os longas B.O. nos dão oportunidade de discutirmos os custos de se filmar no Brasil. Os valores estão altíssimos para se produzir, em grande parte devido às Leis de Incentivo Fiscal". Pelo raciocínio do cineasta a relativa facilidade para se obter financiamento para as produções brasileiras devido a leis como a do Audiovisual inflacionaram os preços da produção cinematográfica.
Com exatas quatro décadas de carreira e seis longas-metragens no currículo, Penna considera que a questão da distribuição continua sendo o grande gargalo do cinema brasileiro. "Nossos filmes precisam ir ao encontro do público".
O cineasta defende que para isto a criatividade dos realizadores tem papel fundamental. "Não adianta nos apoiarmos em fórmulas prontas. O cinema tem que ser inventivo e lutar pela total liberdade de expressão", conclui.
