Cineastas malditos dos anos 60 morrem em São Paulo
Agência JB
RIO - O cinema independente dos anos 1960 perdeu nos últimos dias dois de expoentes: José Agrippino de Paula ("Hitler 3º mundo") e Sérgio Bernardes Filho ("Dezesperato").
Agripino morreu na última quarta-feira, na cidade de Embu das Artes, na Grande São Paulo, onde morava. Vítima de infarto, faria 70 anos no próximo dia 13 de julho. "Hitler 3º mundo", produzido em 67/68, é uma trama anárquica que mostra o então iniciante Jô Soares como um samurai que tenta capturar um robô que é uma espécie de clone do ditador nazista alemão.
Autor de "PanAmérica", seu mais famoso livro, Agrippino influenciou vários autores brasileiros, como André Sant´Anna, e foi reverenciado nas décadas de 60/70 por gente como Caetano Veloso, que assina o prefácio de "PanAmérica".
Sua obra tem sido republicada pela Editora Papagaio, que relançou "PanAmérica" em 2001 e "Lugar público" em 2004.
Paula se dizia "filiado à pop art". Escreveu contos, ensaios, peças de teatro, roteiro de shows musicais e espetáculos de dança.
Sérgio Bernardes Filho, que morreu no último dia 6, aos 63 anos, foi um dos diretores mais atingidos pela censura dos anos 60. Seu longa metragem "Dezesperato", que abordava a guerrilha, foi interditado para todo território nacional e nunca lançado comercialmente. Bernardes vinha nas últimas décadas se dedicando a redescobrir o Brasil, em permanente sintonia com o maestro e compositor Guilherme Vaz. Deixou inédito o longa metragem "Tamboro" que deve ser exibido no próximo Festival de Brasília.
