Exposição solo de Damien Hirst acumula US$250mi em vendas

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REUTERS

LONDRES - A mais recente exposição solo do artista britânico Damien Hirst, 'Beyond Belief', na galeria White Cube, em Londres, se encerra neste final de semana e já rendeu 250 milhões de dólares em apenas cinco semanas, disse a galeria na sexta-feira.

E esse valor não inclui a obra principal da exposição, uma caveira de platina cravada com diamantes cuja venda, pelo preço pedido de 50 milhões de libras (US$ 100,5 milhões), ainda está em negociação.

Além da caveira, a exposição inclui vários trabalhos novos de Hirst, incluindo animais em conserva, uma pomba suspensa no ar, uma estátua humana esfolada segurando sua própria pele e uma série de fotos da cesariana realizada na esposa de Hirst.

O artista, de 42 anos, espera receber 70 % do valor das vendas, com a galeria ficando com os outros 30 %.

O último mês tem sido positivo para o rapaz de Bristol.

Damien Hirst, que ficou conhecido com seus quadrúpedes cortados e em conserva, no mês passado se tornou o artista vivo mais caro do mundo em um leilão quando seu armário de comprimidos 'Lullaby Spring' foi vendido pela Sotheby's por 9,6 milhões de dólares.

Mas a caveira cravada de diamantes é de longe a peça mais preciosa já criada pelo milionário Hirst.

Um indicativo da fortuna que ele acumulou desde que foi visto em 1991 pelo magnata da BritArt Charles Saatchi é o fato de Hirst, que financiou a caveira ele próprio, ter dito que não se lembrava se ela custou 10 ou 15 milhões de libras para ser feita.

Moldada a partir do crânio de um homem europeu do século 18, a caveira é cravada com 8.601 diamantes, incluindo uma grande pedra cor-de-rosa que vale mais de 4 milhões de libras no centro de sua testa.

Hirst disse que se inspirou em caveiras astecas também cravadas de pedras preciosas. Embora a caveira seja de platina e os diamantes sejam sem falhas --e, como Hirst faz questão de ressaltar, sejam de origem ética--, os dentes da caveira são reais.

- Foi muito importante para mim recolocar os dentes reais. Como é o caso dos animais em conserva, é preciso que o animal real esteja presente. Não se trata de uma representação. Eu queria que fosse real - disse ele quando a caveira primeiro foi mostrada ao público.

Hirst, cujas obras costumam ser vendidas por milhões de libras, disse que espera que a caveira não seja arrematada por um comprador privado e tirada de exposição pública.

- Obviamente seria triste se ela terminasse em um cofre em algum lugar, onde ninguém a visse. Obviamente eu gostaria que ela ficasse exposta - disse ele.

- Se alguém a comprar, vou exigir isso como uma das condições.

Hirst rejeitou a sugestão de que suas obras sejam mais uma brincadeira com o establishment artístico do que verdadeiras obras de arte.

Mas, indagado sobre qual será seu próximo projeto, ele imediatamente respondeu:

- Duas caveiras de diamantes transando -- não, isso é brincadeira.