Paul Newman anuncia sua retirada do cinema
Agência EFE
CONNECTICUT - O ator americano Paul Newman anunciou nesta sexta-feira que se retira do cinema, já que não pode mais trabalhar no nível que gostaria.
Em declarações à "ABC", Newman, de 82 anos, disse que na sua idade já se começa a perder memória, confiança e inventividade, e por isso o cinema é um capítulo praticamente fechado de sua vida.
- Atuei durante 50 anos. Já basta - disse Newman.
Ele explicou que agora se concentrará em seus negócios, dirigindo o restaurante de comida ecológica que possui perto de sua casa em Westport (Connecticut), o Dressing Room. Além disso, o ator cedeu seu nome a uma linha de molhos e de pipocas.
Paul Newman também continuará promovendo ações beneficentes.
O último filme em que ele apareceu foi Estrada para a perdição, em 2002, ao lado de Jude Law e Tom Hanks, sob direção de Sam Mendes.
Em 2006, fez a voz de Doc Hudson, personagem do desenho animado Carros, dos estúdios Pixar.
O ator, diretor, roteirista e produtor americano, é um dos galãs mais famosos de Hollywood e o mais sedutor da tela nos anos 70.
Paul Leonard Newman nasceu em 26 de janeiro de 1925, em Cleveland (Ohio). Seu pai era judeu-alemão de origem, e a mãe, uma católica com raízes húngaras.
Após os estudos elementares na Malven Grammar School e na Shaker Heights School, entrou em 1942 para o Kenyon College e, no ano seguinte, se alistou na Marinha. Cumpriu o serviço militar como rádio-artilheiro nas bases de Okinawa e Guam, entre 1943 e 1945.
Após a Segunda Guerra Mundial, voltou para Kenyon, onde se graduou em Ciências Econômicas e fez parte do time de futebol americano.
No entanto, preferiu o teatro e entrou para uma companhia de teatro de Illinois, a Woodstock Players. Lá conheceu a sua primeira mulher, Jacky Witte, mãe de seus filhos Scott, Susan e Stéphanie, de quem se divorciou em 1958, após nove anos de casamento.
Foi aluno da Escola de Arte Dramática de Yale e do Actor''s Studio de Nova York. Em 1953 estreou na Broadway com a obra de William Inge "Picnic", que permaneceu 14 meses em cartaz.
Em 1954 estreou no cinema atuando em O cálice sagrado, de Victor Saville. No entanto, seu primeiro sucesso veio com o filme Marcado pela sarjeta (1956), na pele do boxeador Rocky Graziano.
A partir de então, sua fama começou a crescer rapidamente, e não só como ator. Newman foi para trás das câmeras para rodar o curta On the harmfulness of tobacco (1961) e seis longas-metragens: Rachel, Rachel (1968), Uma lição para não esquecer (1971), O preço da solidão (1972), Caixa de sombras (1980), Meu pai, eterno amigo (1984), feito em memória de seu filho Scott, que morreu de overdose em 1978, aos 28 anos, e Algemas de cristal (1987).
Foi um dos atores mais indicados ao Oscar, mas só ganhou três: um especial, em 1985, pelo conjunto de sua carreira; o de Melhor Ator de 1986, por A cor do dinheiro; e o Prêmio Humanitário Jean Hersholt, em 1994.
Também foi indicado por Gata em teto de zinco quente (1958), Desafio à corrupção (1961), Doce pássaro da juventude (1962), O indomado (1963), Rebeldia indomável (1967), Rachel, Rachel (1968), O Veredicto (1982) e Na roda da fortuna (1994).
A atuação em Caminho para a perdição (2002) valeu uma candidatura ao Oscar ao melhor ator coadjuvante.
Em memória de seu filho, criou ainda a Fundação Scott Newman, destinada a auxiliar e proteger vítimas da droga. Pertenceu também à Aliança para a Defesa do Meio Ambiente e, em 1978, representou os Estados Unidos na ONU, na Conferência para o desarmamento.
Em 1990 foi nomeado pai do ano pelo Unicef e indicado pelo congressista democrata Benjamin de Zino como candidato a governador de Connecticut.
Em 1958 se casou em Las Vegas com a atriz Joanne Woodward, sua atual mulher, com quem teve três filhos: Eleanor, Melissa e Claire.
