Famílias de músicos britânicos dos anos 50 perderão direitos autorais

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Agência EFE

LONDRES - Os parentes das estrelas de rock britânicas dos anos 50 poderão se ver em maus lençóis financeiramente, quando, após meio século, expirarem os direitos autorais dos intérpretes, segundo a edição desta segunda-feira do jornal britânico 'The Times'.

Esta semana é comemorado o 50º aniversário de 'Cumberland Gap', o single de Lonnie Donegan que foi o primeiro sucesso de vendas no Reino Unido.

Pela legislação atual, os intérpretes recebem direitos autorais por meio século, e por isso a viúva de Donegan perderá esta fonte de renda no próximo ano, informou o jornal.

Com o objetivo de igualar os direitos autorais dos intérpretes aos dos compositores, que expiram após 70 anos, a viúva de Donegan autorizou que a música 'Cumberland Gap' faça parte do álbum "Copyright Gap', produzido para denunciar a situação ao Governo Britânico.

Feito pela empresa Phonographic Performance, que arrecada os direitos autorais de 40 mil músicos, o álbum recebeu o apoio de membros do Parlamento britânico, que se solidarizaram com os intérpretes de singles que não tiveram uma carreira tão longa como a de Paul McCartney e outros.

Em 2008, a legislação afetará também o primeiro sucesso do cantor britânico Cliff Richards, 'Move it', e os direitos sobre 'She Loves You', dos Beatles, de 1963, estão com os dias contados.

Assim como este sucesso do quarteto de Liverpool, 'Copyright Gap'

também inclui o single do The Who, 'My generation' (1965), assim como 'Whole Lotta Love', do Led Zeppelin, e 'A Teenager in Love', de Marty Wilde.

Com 71 anos, Lonnie Donegan, o rei do 'skiffle', música popular que usa instrumentos de fabricação artesanal, morreu em 2002, enquanto preparava um show.

- Suas gravações de Rock Island Line e Cumberland Gap não valerão nada em termos monetários quando prescreverem os direitos autorais. As pessoas pensam que somos milionários, mas não é assim: receber estes direitos só ajuda a seguir em frente, disse Sharon Donegan, terceira e última esposa do cantor.

Segundo Sharon, de 50 anos, o mais 'injusto' é que o trabalho de toda a vida de um cantor, como Lonnie, acaba em nada, 'depois de tudo', situação que também atinge a família de Adam Faith, que morreu em 2003.

O deputado trabalhista Michael Connarty fará hoje um apelo ao Governo britânico para que pressione a União Européia (UE), que desde janeiro de 2005 permite a cópia de gravações com 50 anos de idade sem necessidade de pagar os donos dos direitos, que nos Estados Unidos têm 95 anos de proteção.