Silêncio da opressão
Maurício Zágari, Agência JB
RIO -
Em 1925, o cineasta russo Sergei Eisenstein revolucionou o ci nema ao inaugurar uma estética inédita no filme O Encouraçado Potemkin. Utilizando planos em close
e enquadramentos ousados em
preto e branco, fez pular da tela a alma e os sentimentos de cada perso
nagem, numa escalada psicológica
que parte de um conflito social para
falar de dramas humanos.
Mais de 80 anos depois, o diretor mexicano Francisco Vargas caminhou por cima das pegadas de Eisenstein para construir O violino.
Adaptado de um premiado curta-metragem homônimo, de Vargas,
o filme conta um capítulo da vida de
uma família de camponeses guerrilheiros em luta contra o governo no México dos anos 70.
A diferença está na trilha sonora, que no mudo O Encouraçado Potemkin exige-se orquestral e triunfante e no quase mudo O violino inexiste: é o silêncio que ressalta o grito dos oprimidos.
