Festival de Berlim tem filme sobre Edith Piaf e filme brasileiro

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Agência EFE

BERLIM - O 57º Festival de Berlim começa amanhã com 'La Môme - La Vie en Rose', o filme que conta a vida e a obra da cantora Edith Piaf, e traz também o brasileiro 'O ano em que meus pais saíram de férias', de Cao Hamburger. O filme brasileiro conta a história de um menino de 12 anos cujos pais se vêem forçados pela ditadura a "sair de férias", nos anos 70. Uma história comovente, ambientada em um Brasil esperançoso com a então recente conquista da Copa do Mundo de 1970, no México.

O tapete vermelho do festival aguarda Marion Cotillard, a atriz que interpreta Edith Piaf, ícone da 'chanson' francesa, mulher de aspecto frágil e voz de ouro, no filme que abrirá o festival. Em seguida, desfilarão Cate Blanchett, Robert de Niro, Angelina Jolie, Matt Damon, Clint Eastwood, Antonio Banderas, Jennifer López, Sharon Stone e vários membros da família Depardieu, além do veterano diretor Arthur Penn, que receberá um Urso de Ouro de Honra.

Apesar da ausência no festival de Gérard, co-protagonista com Cotillard no filme de Olivier Dahan, foi confirmada a presença de seus filhos Julie e Guillaume Depardieu - ela, por 'Les Témoins' (As Testemunhas), de André Techiné; ele, por 'Ne Touchez Pas la Hache' (Não toque no machado), de Jacques Rivette. Outro filme francês, 'Angel', de François Ozon, encerrará a mostra competitiva, em 17 de fevereiro, com mais uma emocionante história feminina, a de uma escritora britânica do início do século XX. Além da bateria de filmes franceses, os Estados Unidos levarão ao Festival de Berlim presenças poderosas, como, por exemplo, Robert de Niro, diretor e ator em 'O Bom Pastor', a história do nascimento da CIA através de um homem que acreditava em seu país.

'O Segredo de Berlim', de Steven Soderbergh, trará a história de um correspondente de guerra americano (George Clooney) numa Berlim em ruínas durante a Conferência de Potsdam, e ainda conta com Cate Blanchett no elenco. 'Goodbye Bafana' (Adeus Bafana), de Bille August, apresenta Joseph Fiennes na pele do carcereiro que durante vinte anos vigiou Nelson Mandela. 'Bordertown' mostra Jennifer López no papel de uma jornalista americana que investiga os crimes de centenas de mulheres em Ciudad Juarez (México) e conta também com Antonio Banderas no elenco.

Já Sharon Stone representará uma mulher atormentada em 'When a man falls in the Forest' (Quando um homem cai na floresta). O ator argentino Julio Chávez, vencedor do prêmio Alfred Bauer em 2006 por 'El Custodio', interpretará em 'El otro' (O outro), de Ariel Rotter, um homem maduro em crise que assume a identidade de outra pessoa. Dieter Kosslick, diretor do Festival de Berlim, buscou o enquadramento perfeito entre o 'glamour' e a força das histórias, e acabou apresentando menos cinema alemão que o de o costume: apenas dois filmes, 'Yella', de Christian Petzold, e 'Die Fälscher' (Os falsificadores), de Stefan Ruzowitzky.

Os demais participantes, que ilustram a intenção de equilibrar a balança entre cinematografias, são formados pelo israelense 'Beaufort'', o britânico 'Hallam Foe', o italiano 'In Memoria di me' (Em minha memória), a co-produção européia 'Irina Palm', quatro produções asiáticas e uma co-produção tcheco-eslovaca. O Festival de Berlim começa e Kosslick tem mais um objetivo: tirar de si o estigma de 'produtor de fiascos', dado esta semana pelo semanário 'Der Spiegel'. A publicação se referia aos dois últimos filmes vencedores do Urso de Ouro, o sérvio 'Grbavica', em 2006, e o sul-africano "U-carmen', em 2005, que depois fracassaram nas bilheterias.

O diretor do festival também é criticado por ter pouca sensibilidade para o cinema alemão, pelo fato de, por exemplo, não ter lutado pela exibição na edição de 2006 de 'The Lives of Others', que concorreu ao Oscar. Kosslick também é acusado de ter excessiva influência sobre seus júris. O deste ano é presidido por Paul Schrader, diretor de 'The Walker' (O caminhante), que será exibido fora de competição e tem no elenco o ator mexicano Gael García Bernal.