González Iñárritu vive o Oscar como uma celebração mexicana
Agência EFE
LOS ANGELES - O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu confessa que vive o triunfo de 'Babel' na candidatura ao Oscar como 'uma celebração nacional', pois ele compartilha esta alegria com seus compatriotas e amigos Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro.
- Já o Globo de Ouro de 'Babel' se tornou a manchete dos principais jornais do México - afirma sobre o primeiro degrau para a glória alcançado no dia 15 de janeiro após a conquista do prêmio da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.
- E agora isto, tantas candidaturas para 'Babel' e para Alfonso e para Guillermo, já é uma notícia fora de proporções - declarou o realizador.
Naturalmente tão simpático como moreno, daí o apelido de 'El negro' com o qual seus amigos o conhecem, o cineasta de 43 anos é pouco dado às grandes demonstrações de euforia.
Entretanto, a situação não é para menos com um total de sete indicações ao Oscar para 'Babel', entre elas a de melhor filme e a de melhor diretor.
Como lhe dizia seu amigo e companheiro de trabalho em Hollywood, o mexicano Del Toro, isto não foi visto antes.
- Nenhuma cinematografia de nenhum país esteve antes tão indicada como a cinematografia do México - afirma o diretor.
- Nem nos grandes tempos do neo-realismo italiano nem com a Nouvelle Vague francesa foi visto algo assim - afirma cheio de emoção.
Isto acontece pelo fato de além de as indicações de 'Babel' existirem seis para Del Toro e seu filme 'O Labirinto do Fauno' e três para a produção de Cuarón, 'Filhos da Esperança'.
Embora 'Babel' seja tão plural em sua produção como em sua trama e nos idiomas que são usados nele, para González Iñárritu - um homem de natureza pouco afeita a nacionalismos - se trata neste momento de um filme mexicano.
- Por isto é algo histórico, porque nunca um filme mexicano tinha conseguido, anteriormente, o Globo de Ouro e nunca antes um filme de nosso país defendia tantas candidaturas na Academia - afirma.
O que ninguém dúvida é que este realizador deixará seu nome na história como o primeiro cineasta mexicano a concorrer ao Oscar de melhor diretor.
- Apenas isto já me parece incrível - declara.
É um detalhe que não escapa da crítica que, ocupada nestes dias em tentar adivinhar o resultado do Oscar antes do dia 25 de fevereiro, faz previsões sobre as possibilidades do mexicano de conquistar o prêmio.
González Iñárritu não é apenas um novato no Oscar, mas também é considerado quase um calouro com apenas três filmes em seu currículo, 'Amores Brutos' (2000), '21 Gramas' (2003) e agora "Babel'.
Porém, os prêmios sempre o perseguiram e 'Amores Brutos' recebeu cerca de 60, entre eles o da Semana da Crítica em Cannes e a candidatura ao Oscar como melhor filme em língua não inglesa.
Sua estréia em inglês com '21 Gramas' aproximou da estatueta dois de seus protagonistas, Benicio Del Toro e Naomi Watts, e 'Babel' chega a esta festa com o prêmio de melhor diretor do Festival de Cannes.
"Acho que há grandes chances para o filme. Estando lá se tem 20% de possibilidades', afirma considerando que são cinco os candidatos.
O sucesso não lhe subiu à cabeça porque sua euforia e otimismo estão voltados para os outros, não tanto para ele.
Ele sabe que muitos diretores estrangeiros seguiram os passos de Federico Fellini anteriormente, quando em 1962 concorreu ao Oscar de melhor diretor por 'La Dolce Vita', a primeira indicação de um filme em língua não inglesa.
Mas até agora nenhum conquistou este prêmio.
- Este ano seria uma piada que Martin Scorsese não ganhasse. Há uma necessidade furiosa de ele vencer - acrescenta em referência a outro dos candidatos desta edição, o lendário diretor de 'O Touro Indomável' que concorre com 'Os Infiltrados'.
