Documentário 'Lusófanas' estreia no FESTin em Portugal
O que une brasileiras, angolanas, moçambicanas e portuguesas? Para início de conversa, a língua. Mas conforme se avança em conversas com mulheres dos quatro países, percebe-se que questões como a violência doméstica, a desigualdade no mercado de trabalho, o machismo, a necessidade de criar os filhos sozinhas também são temas em comum. No documentário “Lusófonas”, de Carolina Paiva, com estreia mundial nesta sexta (17), na Mostra Competitiva de Documentários do FESTin 2019 (Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa), no cinema Alvalade, em Lisboa, essas questões ganham a voz de líderes como Marisa Matias, candidata à presidência de Portugal em 2015; atualmente deputada européia, ou Natividade Bule, empresária moçambicana criadora da Caixa Econômica Poupança Mulher. O filme de 70 minutos, com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2020 no Brasil, também abre espaço para estudantes, donas de casa, pesquisadoras, representantes da Justiça ou do meio acadêmico contextualizarem a questão feminina no mundo, contarem seus problemas e apresentarem soluções.
"Eu brinco com minhas amigas que somos as bruxas que não conseguiram queimar", diz uma das personagens do filme, a guia de turismo Ana Rita, 26 anos, que organizou um pequeno coletivo feminista no Norte de Portugal. "Ainda nos tratam como se não fôssemos capazes ou competentes. É o que chamo de machismo nosso de cada dia", finaliza.
Para recolher as histórias de “Lusófonas”, a diretora Carolina esteve em Lisboa, Évora, Porto e Gaia (Portugal), Maputo e Matola (Moçambique) e Luanda e Zango 3 (Angola). No Brasil, entre outras cidades, o documentário passa por Rio de Janeiro, Canoa Quebrada (CE) e Barra do Piraí (RJ). Em cada lugar, encontrou mulheres que, de formas diferentes, lutam para ter seus direitos respeitados, para ajudar outras mulheres ou, simplesmente, para viver em sociedades ainda muito machistas.
Em Angola, por exemplo, encontrou a babá Zita João, que enfrenta um cotidiano similar ao de milhares de brasileiras: precisou abandonar a casa própria adquirida com anos e anos de trabalho por causa da violência. Em Lisboa, a assessora política Helga Calçada lembrou como a pobreza afeta particularmente as mulheres. E, em Barra do Piraí, a jongueira Adriane volta ao tempo da escravidão nas fazendas de café para mostrar como o problema da opressão é secular.
Questões que afetam a todos e que exigem criatividade para resolvê-las. Natividade Bule lembra que, há alguns anos, as moçambicanas não podiam abrir contas bancárias sem a assinatura do marido. Hoje, elas podem ter seus próprios negócios, com financiamento da Caixa Econômica Poupança Mulher. Em Angola, a estilista Nadir Tati constrói uma bem sucedida carreira como estilista, abrindo espaço em uma profissão tradicionalmente dominada por homens. O documentário destaca ainda a importância que a Lei Maria da Penha conquistou não apenas no Brasil, mas fora do país.
"O Brasil vem recebendo reconhecimento em muitos tribunais internacionais graças à Lei Maria da Penha. É um avanço importantíssimo para as mulheres", afirma a doutora em economia Hildete Pereira, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A Flora Filmes se prepara para mais dois lançamentos no segundo semestre. A segunda temporada da sitcom “República do Peru” será exibida pela TV Brasil e o lançamento de Foliar Brasil Doc, do CineBrasilTV, que percorre 13 festas populares.
Lusófanas:
Ficha técnica
Direção e Roteiro: Carolina Paiva
Colaboração no Roteiro: Flavia Orlando
Produção Executiva: Carolina Paiva
Diretor de Produção: Lia Rezende
Assistente de Produção: Gabriele Teodoro
Assistente de Produção de Finalização: Gabriele Teodoro e Renata Lima
Direção de Fotografia: Fabio Fonseca
Técnico de Som: Fabio Fonseca e Carolina Paiva
Edição e Finalização Federico Bardini
Edição de Som e Mixagem: Rafael Vieira Alam e Antonio Carlos DMC
Laboratório Finalização: Link Digital
