Resistência experimental: confira crítica do filme "Boi de lágrimas"

Por Ana Rodrigues*

Os tambores da resistência em 'Boi de lágrimas'

O experimentalismo de “Boi de lágrimas”, quarto filme de Frederico Machado, observa uma família ligada ao movimento do Bumba Meu Boi, em meio ao turbilhão político. Um tocador de pandeiro da periferia de São Luís do Maranhão, a esposa dele que está grávida, a filha que é dançarina do grupo de Boi e participante de protestos, o namorado da jovem e um amigo da família representam sentimentos inquietantes dentro do processo de fazer cultura popular e a incerteza sobre o futuro.

Com orçamento de dez mil reais, a equipe, em apenas três dias, filmou a experiência de resistência poética com citações de Glauber Rocha, Sergei Eisenstein e David Lynch. Mas há desequilíbrio na construção de personagens. Somente o tocador de pandeiro e sua filha estão completos na proposta. Um formigueiro é a representação do coletivo trabalhador. Forte quando se une, mas o risco de ser disperso ou destruído está sempre à espreita. Na trilha sonora, os tambores persistem no caos.

* Membro da ACCRJ

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COTAÇÃO 

* * (REGULAR)