2018: o ano do teatro sem lei
O teatro carioca sempre se caracterizou por uma classe criativa e ousada, de ação combativa e uma capacidade enorme de se reinventar. Com as dificuldades do governo em participar através de editais de fomento, o afastamento dos patrocinadores e apoiadores via Leis de Incentivo, a nossa cena foi ocupada por grupos, produtores, atores que se transformaram em patrocinadores de si próprios.
Com isso, viram-se os grupos comemorarem décadas de existência com montagens ousadas, como “Insetos”, da Cia dos Atores. Verdadeiros guerreiros, a Rede Baixada em Cena – formada por 16 coletivos da Baixada Fluminense – realizou duas mostras no Rio de Janeiro, além da apresentação individual de espetáculos como “Medeia” e “Lima entre nós”.
Com força se estabeleceu um gênero que une adultos e crianças, que como cunhou Alexandre Lino, teatro para toda a família. As incansáveis produtoras Vera Novello e Ana Velloso realizaram “O choro de Pixinguinha”, mais um mergulho no universo da MPB. “Tropicalinha - Caetano e Gil para crianças” se utiliza da estrutura das narrativas infantis para dizer não ao não. E “O Lago dos Cisnes”, de Daniel Porto, com direção de Alexandre Lino, é um poema que resume todo o drama de Odette com a atriz/bailarina Juliana Martins.
E foi o ano em que os cenários trouxeram das artes plásticas as instalações e o video mapping como recursos extraordinários de misturar e integrar outras formas narrativas. Novos palcos também surgiram com a reinauguração do Teatro Adolfo Bloch e a plena utilização da Cidade das Artes, abrigando as mais diversas formas de manifestações teatrais que culminou com a remontagem de “O Rei da Vela”. E a lembrança, extremamente bem documentada, do Teatro dos Quatro está no livro de Daniel Schenker.
Os musicais no Rio não são importados da Broadway. Trazem o nosso DNA, substituem, com enorme eficiência e talento, a ausência das grandes casas de show. “Frenetic Dancing Days” colocou milhares de pessoas para dançar e pensar no passado para entender o Brasil atual; Vinicius e Nara mereceram especiais homenagens, assim como Elza Soares.
Dois momentos marcantes foram a presença do grupo Carmim com “Invenção do Nordeste”. Montagem com coesão competente que faz do teatro uma manifestação artística extremamente prazerosa. A versão carioca do site specif teve três momentos de pura catarse: “Amazona” pelas ruas da Candelária; “InComodos”, no Castelinho do Flamengo e na Casa Rio, e “Vala comum”, em um casarão da Tijuca.
No ano repleto de dificuldades, de confrontos em todas as áreas, três produtores foram na contramão do que poderia causar uma inércia. Felipe Lima, Caio Bucker e Chris Nascimento foram nossos fora da lei que produziram sucessos, espetáculos populares, sofisticados, mas disseram e reafirmaram: “2018 , Teatro presente!”
Os musicais no Rio não são importados da Broadway. Trazem o nosso DNA, substituem, com enorme eficiência e talento, a ausência das grandes casas de show. “Frenetic Dancing Days” colocou milhares de pessoas para dançar e pensar no passado para entender o Brasil atual; Vinicius e Nara mereceram especiais homenagens, assim como Elza Soares.
Dois momentos marcantes foram a presença do grupo Carmim com “Invenção do Nordeste”. Montagem com coesão competente que faz do teatro uma manifestação artística extremamente prazerosa. A versão carioca do site specif teve três momentos de pura catarse: “Amazona” pelas ruas da Candelária; “InComodos”, no Castelinho do Flamengo e na Casa Rio, e “Vala comum”, em um casarão da Tijuca.
No ano repleto de dificuldades, de confrontos em todas as áreas, três produtores foram na contramão do que poderia causar uma inércia. Felipe Lima, Caio Bucker e Chris Nascimento foram nossos fora da lei que produziram sucessos, espetáculos populares, sofisticados, mas disseram e reafirmaram: “2018 , Teatro presente!”
