Romário, parabéns. Mas também muita ponderação e bom senso

Por Mônica Francisco *

O Rio elege e consagra Romário como senador mais votado da história do Estado. Ele, com toda a razão, celebra o passado humilde, suas origens e trajetória até o mais célebre cargo da República, o de senador.

O Senado, lugar onde a honra, a experiência e o bom senso devem permear as decisões - pois elas são de vital importância para a fluidez da nação - recebe um negro, que vem da base da pirâmide, ou melhor, que se originou dela.

Agora que vindo e tendo as origens que tem, e mais do que isso, ocupando o posto que ocupa, cerque-se de muita pesquisa e discussão sobre a redução da maioridade penal.

Certamente, a vida tranquila que leva, com tudo que conquistou com seu belo futebol, não pode te-lo feito esquecer o que é ser jovem e negro na favela. Também, se não o é, deve fazer parte de sua tarefa examinar os números dos homicídios e mortes violentas e seus protagonistas.

A quarta maior população carcerária, 50 mil jovens negros mortos violentamente por ano, mais de 50 mil alunos evadidos das escolas no Grande Rio, segundo a Casa Fluminense, só na cidade 24,5 mil crianças fora da escola. No Brasil, estamos em sétimo lugar no caso de mortes violentas da nossa juventude masculina e negra ou não branca.

Que você como senador possa fundamentar-se não em clamores daqueles e daquelas que são influenciados pelo senso comum e repetem como mantra coisas que com um pouquinho mais de ponderação os fariam entender o real foco dessa proposta.

Que o senador escolhido pelo Rio, que faz de sua origem sua maior marca nesse momento, busque o diálogo com o povo que o elegeu. E que, mais do que isso, que o fez entrar para a história, e isso é para poucos. 

Ainda mais vindo de um estado onde a panaceia para todos os males é mais polícia. Onde o transporte é o retrato da humilhação por que passa a população diariamente, e a habitação, aí não precisa nem gastar caracteres.

Você será o Rio no Congresso, então que o Rio se faça representar da melhor forma, para nós e para o Brasil.

Que não se deixe levar pelo clamor de uma elite raivosa, que penaliza os mais pobres e acha graça dos delitos de seus filhos. Que ridiculariza medidas que beneficiam os pobres, mas babam ao se locupletarem de gordas fatias do dinheiro público, travestidas de benefícios.

Romário, parabéns, mas também, muita cautela. Muita ponderação. Muita pesquisa e bom senso. A penalização dos mais pobres, moradores de áreas pobres e periféricas do Brasil, já atinge o limite do insuportável.

"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@MncaSFrancisco)