Pesquisador defende manutenção de aterros sanitários
Toda hora a questão do lixo e o que vamos fazer com ele vem à tona. Sempre aparecem os mesmos problemas, que vão de contaminação do solo e das pessoas ao entupimento de bueiros, o que provoca o alagamento de ruas. Recentemente, o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, enfrentou problemas por falta da coleta de seu lixo, o que ainda não foi totalmente resolvido. A situação, inclusive, gerou diversas discussões sobre este tema tão atual.
Na dissertação de Ubiratan Amorim da Silva, mestre em Engenharia Ambiental pela UERJ, “Implantação de células experimentais para avaliação de codisposição de resíduos sólidos de serviço de saúde e resíduos sólidos domiciliares: resultados preliminares”, a problemática do resíduo urbano é tratada, abordando, justamente, o crescimento da geração de resíduos sólidos, as mudanças químicas e físicas que foram observadas ao longo do tempo, o crescimento da população e a intensidade da indústria.
Mas, primeiramente, o que é lixo? O autor da dissertação usa as definições do dicionário e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para tentar classificar melhor o que, realmente, é lixo. Descrevendo-o como “todo material sólido ou semi-sólido indesejável e que necessita ser removido por ter sido considerado inútil por quem o descarta, em qualquer recipiente destinado a este ato”. Ele ainda ressalta que esta característica é relativa, tendo em vista que há o processo de reciclagem, que aproveita o que aparentemente não tem mais serventia para fazer matéria-prima para um novo produto ou processo.
O objetivo geral da dissertação é a proposta de fazer a caracterização físico-química e toxicológica de lixiviados de resíduos de serviço de saúde (RSS) de resíduos sólidos domiciliares (RSD) codispostos em células experimentais de aterros sanitários, visando à obtenção de subsídios para discussão da necessidade de tratamento e disposição final diferenciado. Assim analisar diferentes parâmetros físico-químicos para confrontá-los com parâmetros toxicológicos, avaliando aspectos quantitativos e qualitativos, estudando interações ocorridas no processo de codisposição, método que consiste em misturar resíduos sólidos industriais classe II e III, com resíduos domiciliares, de forma a provocar reações físicas, químicas e biológicas, e sua eficiência.
Para o autor, até hoje a opção que apresenta a melhor relação custo benefício é o aterro sanitário. Embora propostas alternativas tenham sido discutidas como, por exemplo, a incineração, os aterros ainda representam o meio mais importante para se tratar de resíduos sólidos urbanos, segundo ele. Em função da realidade sanitária e economicamente precária de boa parte dos municípios brasileiros, muitos profissionais consideram desnecessário o processo de tratamento desses resíduos, geralmente, realizado por “processos dispendiosos, inapropriados e muitas vezes geradores de poluição”.
A pressão por força da legislação, por preconceitos da população e por interesses comerciais é grande no sentido de inativação desses resíduos por métodos como incineração, autoclavação, uso de um aparelho que trabalha com temperatura e pressão elevadas para desnaturação de proteínas, e micro-ondas, processo no qual os resíduos são triturados, umedecidos com vapor de 150ºC e colocados continuamente num forno de micro-ondas no qual há um dispositivo para revolver e transportar a massa. Porém pesquisadores apontam para a inexistência de fatos, exceto o perfuro de cortantes, que comprovem a periculosidade do lixo biológico em relação aos resíduos domiciliares, mas esta é uma questão mal resolvida.
Enquanto as autoridades vêm desativando antigos aterros sanitários, como o de Gramacho, em Duque de Caxias, o pesquisador Ubiratan Amorim da Silva diz que os aterros podem não ser tão ruins para o meio ambiente, mas que ainda é necessária uma pesquisa mais abrangente para conseguir um comportamento do microrganismo mostrando tendências significativas, embora todas as células tenham apresentado valores dentro das exigências do órgão ambiental no período de observação, que durou em média 60 dias.
