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Bloomberg denuncia irregularidades em Paraty e Angra 

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O site de notícias americano Bloomberg publicou uma reportagem, no dia 8 de março, sob o título “Os ricos do Brasil não têm vergonha de construir casas em áreas de preservação  ambiental”. A matéria trata de ocupações ilegais em áreas que deveriam estar protegidas estado do Rio deJaneiro.

Foram citados empresários do setor de comunicação, o diretor de cinema Bruno Barreto, o empresário Antonio Claudio Resende, o empresário Ícaro Fernandes e os donos da construtora Camargo Corrêa. 

Todos são proprietários, segundo a reportagem, de mansões irregulares construídas na Praia de Santa Rita, perto de Paraty; na Ilha do Pico, em Paraty; na Ilha da Cavala, em Angra dos Reis; no Saco do Mamanguá e em Cairuçu, também em Paraty.

A matéria aborda o fato de alguns milionários do Brasil ignorarem as leis que impedem esse tipo de construção nas áreas citadas, tomando posse dos recursos naturais e acreditando que seus direitos sejam maiores que os direitos de todo mundo. As construções estariam pondo em risco a vida de espécies raras de animais, que correm risco de extinção, e vivem nos locais onde as mansões estão instaladas.

Os donos das mansões irregulares, segundo o site, ignoram há mais de quatro anos a recuperação das áreas ocupadas. Em alguns casos, é exigida até a demolição das casas. Ainda que sejam determinações judiciais de ações civis e criminais, advogados contratados utilizam-se de recursos jurídicos para que nenhuma ação prática seja tomada, protelando qualquer decisão final da Justiça.

De acordo com Eduardo Godoy, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e Conservação, os ricos do Brasil pensam que são os únicos a merecer um pedaço do paraíso porque têm dinheiro. 

Godoy lamenta a ocupação irregular nas áreas de conservação em Cairuçu, Juatinga e Tamoios, em florestas e ilhas com rios, cachoeiras e praias onde tartarugas marinhas fazem ninhos. Ele também critica o fato de os proprietários “privatizarem” as praias, contratando seguranças armados para impedir a presença de visitantes.

Godoy alerta o fato de, segundo ele, o rápido crescimento econômico há mais de duas décadas no Brasil ter levado os ricos a ficarem mais ricos no país, resultando no aumento do uso ilegal de terras públicas. O órgão federal ambiental em Paraty, uma cidade colonial do século 17, a cerca de 250 km ao sul do Rio de Janeiro, enfrenta uma baía repleta de ilhas ilegalmente ocupadas.

A economia do país, impulsionada por um aumento de crédito e por exportações crescentes durante a última década, valorizou seus ativos, inclusive imóveis, ações, títulos e commodities, criando 19 novos milionários a cada dia num país de 190 milhões de pessoas, de acordo com o 2010 World Wealth Report pela Capgemini SA (CAP) e Bank of America Merrill Lynch.

Segundo o site, os brasileiros têm um patrimônio coletivo líquido de US$ 890 bilhões, ou 39%  de todos os bens individuais na América do Sul, de acordo com um relatório de novembro 2011 pela Wealth-X, empresa de pesquisa sediada em Cingapura. 

Para o Procurador da República no município de Angra dos Reis, Ricardo Martins Baptista, o descumprimento da lei é algo generalizado, não sendo uma questão apenas dos milionários, apesar de a repercussão ser mais direcionada para eles.