Campuseiros testam futuro da internet na Semana do IPv6
Os milhares de campuseiros espalhados pela arena da Campus Party talvez nem saibam, mas estão ajudando nos testes para o futuro da internet. Durante o evento, acontecem testes do IPv6, novo protocolo de internet que vai substituir o IPv4 - cujos endereços estão se esgotando - e aumentar das 4 bilhões de combinações de endereços atuais para 340 undecilhões de combinações diferentes, permitindo uma nova revolução na internet.
Durante toda a semana, aproveitando a conexão de internet da Telefônica|Vivo, que conecta os campuseiros no evento já com o novo protocolo, 180 sites do País estão funcionando simultaneamente com ambos os protocolos, IPv4 e IPv6. "A ideia é aproveitar a conexão IPv6 nativa e o tráfego gerado nos sites participantes para que cada equipe de TI possa averiguar se está tudo certo com o novo protocolo", afirma Antonio Marcos Moreiras, coordenador do IPv6.br e gerente de projetos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
O teste é semelhante ao realizado no Dia Mundial do IPv6, em junho do ano passado. "Esperamos encontrar um índice quase zero de problemas, como foi no teste de junho. No dia mundial, os sites ativaram o IPv6, mas poucos provedores disponibilizaram o protocolo para que se navegasse em IPv6. Com a conexão da Telefônica esperamos alcançar um tráfego maior", afirma Moreiras.
Para incentivar os participantes a navegarem nos sites participantes, a Semana do IPv6 inclui desafios e premiações. Os campuseiros podem baixar uma extensão para o Google Chrome no site do projeto (ipv6.br) e medir a quantidade de vezes que os sites participantes são acessados. As visitas geram pontos que vão render prêmios como smartphones e tablets para os vencedores.
A Semana do IPv6 inclui ainda uma série de palestras na área de Segurança e Redes. "Um dos grandes objetivos é gerar conhecimento sobre o assunto, urgente frente ao esgotamento de nedereços IPv4", avalia o gerente do NIC.br.
Esgotamento e revolução
Cada computador ou serviço conectado à internet precisa de um endereço que o identifique, e esses endereços estão terminando. Em países como a China - onde a internet está crescendo muito rapidamente -, ou Japão, entre outras nações asiáticas e africanas, a mudança para o novo protocolo de internet é urgente, já que são lugares com poucos endereços IP designados.
"Na América Latina e no Caribe, se a internet seguir no mesmo ritmo de crescimento, os endereços IPs devem se esgotar em dois anos", afirma Adilson Florentino, especialista em redes de computadores. "O IPv6 vai permitir 56 octilhões de endereços IP por ser humano. É um número 79 octilhões de vezes maior que a capacidade atual da rede", disse.
Além de resolver o problema com o esgotamento dos endereços IPs e impedir que o crescimento da internet pare, o IPv6 vai causar uma nova revolução e fazer com que entremos na era da "Internet das Coisas". "A rede passou por três grandes fases: primeiro, ligada a máquinas. A segunda fase, a da internet das redes sociais, deixou de conectar puramente máquinas e começou a conectar pessoas. A terceira revolução é internet das coisas: vai poder conectar máquinas com máquinas, muitas vezes sem necessidade de intervenção humana", disse o especialista.
O número impresionante de endereços vai abrir um leque de possibilidade para automação comercial e casas inteligentes, por exemplo. "TVs e geladeiras poderão estar conectadas, e o usuário poderá, por exemplo, antes de chegar em casa, pedir pra acender as luzes ou aquecera banheira", exemplifica.
