Casos de leishmaniose visceral em 2011 servem de alerta para este ano
O verão traz aos brasileiros, e cariocas especialmente, algumas preocupações em relação à saúde. Além do filtro solar, outro item passou a ser indispensável: o repelente de mosquitos. O motivo é o aumento dos números dos casos de dengue, que sempre crescem nesta época do ano. O produto, porém, também ajuda a prevenir a contaminação de outra doença transmitida pelo inseto: a Leishmaniose Visceral (LV). Apesar de ser predominantemente rural, a leishmaniose visceral tem sido transmitida também em áreas urbanas, tendo 25 casos confirmados em animais em 2011 e três casos de contaminação de humanos na cidade do Rio.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a LV é uma doença considerada primariamente como uma zoonose podendo acometer o homem, quando este entra em contato com o ciclo de transmissão do parasita, um mosquito popularmente conhecido como mosquito palha. O superintendente de vigilância epidemiológica e ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, explica que o inseto não é de fácil identificação, como o Aedes Aegypti.
“A leishmaniose visceral tem alguns reservatórios e o animal portador da doença mais comum é o cachorro. Uma vez portador de leishmaniose, havendo presença do mosquito transmissor, o animal doente pode transmitir a doença para o ser humano. O mosquito, porém, é difícil de caracterizar”, explica Chieppe.
Ainda de acordo com informações do Ministério da Saúde, o ambiente propício à ocorrência da LV é de baixo nível socioeconômico e pobreza, prevalente no meio rural e nas periferias das grandes cidades. Estas características, porém, têm se modificado, e a doença se encontra urbanizada em algumas regiões. Em 2011, o bairro do Caju (Zona Portuária) recebeu um surto da doença, tendo 25 casos registrados em animais no mês de junho. Um documento da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil alerta os profissionais da área para a prevenção e controle da LV no município. Uma nota da assessoria de imprensa do órgão, entretanto, garante que todas as medidas foram tomadas para manter a região livre da doença.
“Não há registro de casos de Leishmaniose Visceral em humanos e em animais no Rio em 2012. Em 2011 foram registrados três casos da doença em humanos e 25 casos em animais. Como não há tratamento da doença para animais, a Unidade de Vigilância e Fiscalização Sanitária em Zoonoses Paulo Dacorso Filho (UPDF) realizou eutanásia nos cães e um intenso trabalho educativo na comunidade do Caju. Os moradores também foram orientados pelos técnicos da UPDF sobre limpeza dos imóveis, capina em áreas com mato, recolhimento de lixo e todos os cuidados ambientais que devem ter para manter a região livre da doença”, esclarece.
Veterinário em uma clínica Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), Felippe Charbel afirma que, recentemente, tem escutado sobre diversos casos de LV em cães e que os donos dos animais, quando informados sobre a necessidade de um exame específico para detectar a doença, se recusam a fazê-lo, devido ao custo.
“Eu mesmo já consultei alguns cães com sintomas suspeitos, mas não podemos fechar o diagnóstico sem pedir este exame específico, cujo preço gira entre R$40 e R$100, dependendo do laboratório. Os donos vão para casa mas não voltam, por isso não chegamos a avisar à Secretaria da Saúde”, justifica o veterinário.
Alexandre Chieppe, porém, deixa claro que, mesmo apenas com a suspeita, o veterinário já pode fazer a notificação ao órgão responsável.
Sintomas e tratamento
Os cães contaminados pela LV normalmente apresentam sintomas como aumento do fígado, baço, emagrecimento, enjôo, náusea, crescimento excessivo das unhas e opacidade dos pelos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a eutanásia mas, segundo o veterinário Carlos Fintelmann, já existe tratamento.
Nos humanos, os sintomas são febre de longa duração, fraqueza, emagrecimento, palidez e, em uma fase mais avançada, pode haver o aumento do fígado e do baço. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a LV é considerada grave, podendo levar à morte. Outro problema é o período de incubação.
“Depois da picada do mosquito, o período de incubação pode variar muito, o que não ajuda nem um pouco. Pode se manifestar dentro de alguns dias, a meses ou até dois anos”, diz Alexandre Chieppe.
Segundo ele, a única forma de prevenção é o controle ambiental oara a diminuição do mosquito transmissor, a eliminação dos animais portadores e o tratamento dos humanos diagnosticados, que também podem agir como reservatórios.
