Empresário de sucesso, Jobs vira exemplo em livros de gestão

Por Ismael Cardoso

Tido como visionário, inventivo e inovador, a carreira e o trabalho de Steve Jobs não inspiraram somente pelos seus produtos. Empreendedor vitorioso e um orador talentoso, o executivo, que morreu na quarta-feira vítima de um câncer de pâncreas, virou exemplo e objeto de estudo para quem quer conquistar o sucesso empresarial.

O jornalista americano Carmine Gallo, autor dos livrosFaça como Steve Jobs e Inovação - A arte de Steve Jobs, afirma que ninguém chegou perto da capacidade de oratória do cofundador da Apple. "Steve Jobs foi o maior narrador corporativo da história. Pessoalmente, sou fascinado por comunicação e eu era muito inspirado pelas apresentações dele. Ninguém era como ele, ninguém fazia uma apresentação como Steve Jobs. Quanto mais eu escutava, mas eu tinha certeza de que tínhamos muito a aprender com a sua liderança", afirma o autor.

Gallo diz que nunca chegou a conhecer o executivo, mas acompanhou as muitas apresentações de produtos e palestras de Jobs para retirar as técnicas que ensina nos livros. Para passar as técnicas de apresentação do cofundador da Apple, o escritor diz que conehceu muitas pessoas que trabalharam com ele na companhia, inclusive nos bastidores dos seus keynotes. "Conheci pessoas que trabalharam com ele na Apple. Eu montei o quebra-cabeças como um jornalista. Eu era muito próximo das pessoas que criavam os slides para as apresentações dele", diz.

Gallo também se inspirou na arte empreendedora de Jobs para superar concorrentes, atrair clientes e desenvolver produtos revolucionários para resumir, em sete dicas, o que para ele são as maiores características do executivo a serem seguidas por novos empresários. Esses princípios vão desde "pensar diferente de como você pensa" até "vender sonhos em vez de produtos". "Steve Jobs era um inovador, criou novas maneiras de fazer as coisas. Ele inovou a experiência computacional, a experiência do consumidor com as Apple Stores, a experiência de comunicação, da forma que ele lidava com as apresentações. Ele mudou tudo, da forma como vivemos nossas vidas", afirma.

Steve Jobs morre aos 56 anos

O cofundador e ex-presidente do conselho de administração da Apple morreu nesta quarta-feira aos 56 anos, vítima de um câncer no pâncreas que vinha tratando desde 2003. Perfeccionista, criativo, inovador e ousado, ele ajudou a tornar os computadores mais amigáveis e revolucionou a animação, a música digital e o telefone celular. Jobs marcou o mundo da tecnologia ao apresentar produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad. Afastado da empresa desde 17 de janeiro para cuidar da saúde e sem prazo para voltar, o executivo renunciou ao cargo em 24 de agosto. "Sempre disse que, se chegasse o dia que eu não pudesse mais cumprir minhas funções e expectativas como CEO da Apple, seria o primeiro a informar. Infelizmente, esse dia chegou", dizia a nota à época.

A saúde de Jobs virou notícia em 2004, quando ele anunciou que passara por uma cirurgia para remover um tipo raro de câncer pancreático, diagnosticado em 2003, e que a operação fora bem-sucedida. Depois, em 2009, Jobs fez um transplante de fígado e ficou afastado da companhia que fundou ao lado do engenheiro Steve Wozniak por vários meses. Mesmo com as licenças, Jobs continuou ativo na tomada de decisões da empresa, chegando se reunir a portas fechadas com o presidente americano, Barack Obama, em fevereiro, e lançar o iPad 2, em março, surpreendendo ao subir ao palco para apresentar o produto.

Detalhes do estado de saúde de Jobs sempre foram um mistério. Uma fotografia que mostrava o executivo muito magro e com aparência debilitada (sobre a qual recaíram suspeitas de manipulação) foi publicada pelo site americano de celebridades TMZ dois dias após ele ter deixado o cargo de presidente-executivo da Apple. Em fevereiro, Jobs foi fotografado pelo jornal americano The National Enquirer na mesma clínica onde o ator Patrick Swayze, morto em setembro de 2009, recebeu tratamento para câncer de pâncreas.