Psicanálise é instrumento de transformação humana, diz especialista
Agência Notisa
RIO DE JANEIRO - A psicanálise se desenvolveu muito desde a sua criação. Todas as escolas que surgiram ao longo dos anos tinham o referencial freudiano, mas apresentavam também um conjuntos de idaias próprias. Na década de 80, começou um movimento que, como conta a psicanalista e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ), Letícia Neves, pode ser chamado de transescolaridade.
Hoje a psicanálise possui varias teorias, porém não vistas mais como doutrinas. Os psicanalistas começaram a trabalhar usando vários referenciais e a divisão em escolas se tornou algo muito tênue e flexível , explica Letícia. Para ela, o tratamento psicanalítico busca oferecer sustentação, continência, e proporcionar uma experiência de transformação àquele que à busca. As pessoas que vão procurar a psicanálise têm em comum a dor e o sofrimento, que são provocados, por exemplo, por decepções, por fracasso, pelo vazio existencial. Elas buscam na psicanálise o bem estar no viver , diz.
Diferente do tratamento de qualquer doença, não é possível medir o tempo para a recuperação de um paciente na psicanálise. A psicanálise é uma ciência que trabalha com a atemporalidade. Não faz uso do tempo cronológico e sim do tempo emocional, psíquico, do tempo do inconsciente. A recuperação vai depender muito do processo da dupla: analista e analisando , explica a psicanalista.
Ela diz também que no tratamento pela psicanálise não existem processos determinados, como os que são observados nos tratamentos da medicina. Porém, Letícia o separa em duas fases.A primeira é a fase de compreensão ou entendimento e a segunda é uma fase de posicionamento, onde haveria uma explicação .
Segundo a especialista, o trabalho da psicanálise é feito através de uma conversa. É onde são observados todos os tipos de linguagem, como a verbal, a gestual, a corporal e as sensações que o analista e o analisando tem , explica. Para Letícia, cada vez mais a psicanálise está se transformando em um instrumento de transformação humana. Por conseguir junto com o paciente entender a dor que ele possui e dar sentido à sua vida.
Para expandir os conhecimentos dos profissionais da área, a SBPRJ, a SPRJ e a ABEPPS promovem nesta sexta e no sábado um encontro internacional de psicanálise, que vai contar com a presença de Steven Knoblauch, membro da International Association for Psychoanalytic Self Psychology (IAPSP); e do casal Susanna Federici Nebbiosi, membros-fundadores do Istituto di Specializzazione in Psicologia Psicoanalitica del Sé e Psicoanalisi Relazionale (ISIPSé); e Gianni Nebbiosi, presidente do ISIPSé, vice-presidente do International Association for Relational Psychoanalysis and Psychotherapy (IARPP) e membro da IAPSP. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (21) 25434998 e (21) 22953148.
