Japão, Noruega e Islândia querem o fim da proibição da caça às baleias
Marcelo Gigliotti , Jornal do Brasil
RIO - Até 1986, 38 mil baleias eram caçadas anualmente. Naquele ano, a International Whaling Commission (IWC Comissão Baleeira Internacional), que reúne 88 países, declarou uma moratória por 25 anos, proibindo a caça. Mesmo assim, desde 86, nada menos que 30 mil destes magníficos cetáceos foram caçados por três países que quebraram o pacto: Japão, Noruega e Islândia. Agora, chegando ao fim o prazo da moratória, o IWC se reúne em Marrocos para decidir o futuro das baleias. Países como Brasil, Austrália e Estados Unidos querem que a caça continue proibida. Já as nações caçadoras querem o fim da proibição.
O Brasil tem mantido um posicionamento fortemente conservacionista, sendo contrário ao retorno da caça comercial de baleias explica a pesquisadora Karina Groch, que integra a comitiva brasileira no encontro em Marrocos. Está em negociação um acordo que poderá envolver a liberação parcial da caça comercial por um período de dez anos, o que seria um retrocesso.
O tal acordo prevê a criação de cotas para caça para Japão, Noruega e Islândia. O Japão, por exemplo, poderia caçar 400 baleias minke em águas do oceano Antártico entre 2011 e 2015, para depois reduzir esse número para 200 entre 2015 e 2020. As baleeiras teriam de levar observadores a bordo, para checar se a cota foi respeitada.
Para muitos, o acordo legitimaria a matança de baleias, que o Japão tem feito, mesmo sob intensas críticas internacionais, e enfrentando grupos ecológicos como o Sea Shepherd, que fustiga baleeiras nas águas antárticas em verdadeiras batalhas navais. O Japão faz a caça, alegando realizar pesquisas científicas: a carne em excesso" é entregue a comerciantes.
O Japão usa o pretexto de caça científica como um pé na porta para que seja liberada a caça comercial comenta o diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado. Somos totalmente contra a caça, sob qualquer pretexto.
Segundo Furtado, a própria população japonesa já tem uma posição crítica, segundo pesquisa de opinião feita pela ONG no país:
No passado, havia a questão cultural da caça à baleia no Japão. No pós-guerra, com a escassez de alimentos, se entendia a necessidade do consumo. Mas agora o mundo mudou, as baleias são um ícone da biodiversidade.
O representante da Noruega, no encontro de Marrocos, Karsten Klepsvik, disse terça-feira que não vai aceitar o fim da caça. O país abate centenas por ano. O ministro da Agricultura japonês, Masayoshi Yamada, está otimista quanto ao acordo de mais dez anos de caça, com as cotas. Mas ambientalistas e delegados de países contrários à matança dizem que ninguém garante o que vai ocorrer depois de 2020.
Esse negócio de parar aos poucos não dá. Tem que parar tudo agora diz Furtado, do Greenpeace.
O jornal inglês Sunday Times informou ter provas que representantes africanos e caribenhos tinham aceitado votar a favor da caça às baleias depois de terem recebido promessas de ajuda do Japão. Até a estada em Marrocos de Anthony Liverpool, presidente interino da IWC, teria sido paga pelos japoneses.
