Alimentação infantil: receita para um verão saudável
Fernanda Prates, Jornal do Brasil
RIO - Que criança nunca ouviu a frase filho, não esquece o protetor solar ? Na hora de curtir o verão na praia ou no clube, os pais raramente se descuidam dos cuidados com o sol e o calor. No entanto, com a chegada da estação, existe outro risco à saúde que muitas vezes não recebe tanta atenção: o descuido alimentar. Em meio a uma nova rotina e às deliciosas tentações da praia, a tarefa de garantir que seus filhos estejam (bem) alimentados e hidratados é um dos maiores desafios para um pai.
Nas férias, não há cardápios fixos, sem contar as viagens e passeios e a interferência dos amigos explica Mauro Fisberg, nutrólogo e pediatra. - Além disso, há o aumento das guloseimas e do tempo para refeições como lanches e petiscos.
Estas condições exigem cuidado especial dos pais que, segundo especialistas, devem tentar estabelecer uma nova rotina alimentar, mais adequada à estação. Ainda mais com a criançada ativa, que gosta de brincar ou praticar atividades esportivas, eles recomendam atenção para que estejam sempre hidratados e com os nutrientes necessários para suprir a energia gasta.
Devemos aumentar o consumo de alimentos frescos, saladas, verduras e legumes, além de muitas frutas e sucos. recomenda Fisberg. Também não podemos nos esquecer dos alimentos que dão energia, como as massas, o arroz com feijão e as diferentes carnes.
O verão traz ainda dois grandes riscos para a saúde infantil: a desidratação e possíveis intoxicações alimentares. Apesar de ser difícil negar os pedidos chorosos pelo velho queijo coalho ou um sorvetinho, saber dizer não pode impedir que o pequeno perca dias das férias de cama.
Comer alimentos que ficam muito tempo no sol ou de procedência desconhecida pode levar a problemas como a gastrointerite afirma Ricardo Rego Barros, nutricionista da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quando a criança quiser um lanche, é melhor dar um biscoito embalado ou um sorvete de marca confiável.
Para garantir a hidratação, especialistas recomendam o básico: bastante água, sempre que possível. Água de coco e sucos também são recomendados, mas é bom evitar refrigerantes, ricos em açúcar e aditivos químicos. Segundo a nutricionista Patricia Davidson, é importante oferecer líquidos de uma em uma hora, e se a criança reclamar de sede, é sinal de que os níveis de hidratação não estão bons.
O verão também pode ser época de inovação à mesa, pois a quebra de rotina pode piorar os hábitos de crianças que já têm problemas para comer, como as chamadas picky eaters (comedoras seletivas), que, segundo Barros, já correspondem a cerca de 15% da população infantil. Para evitar que os hábitos dessas crianças gerem consequências graves, como problemas de crescimento, eles recomendam atenção:
É importante reeducar, sem forçar a criança a comer, mas acompanhando ela à mesa comenta Ricardo Barros. Também é importante que os pais façam um acompanhamento médico adequado.
Para estimular o apetite, Fisberg receita:
A refeição deve ser apresentada de forma agradável, com tempero adequado à idade e a capacidade de agradar. É importante que se mostre que o alimento pode ser divertido.
>> Anote
Horários
Estabelecer novos horários para acordar, comer e dormir
Hidratação
Oferecer líquidos a cada hora
Energia
Não esquecer do magnésio, presente nas folhas verdes e alimentos integrais, e das vitaminas do complexo B, presentes em grãos e proteínas
Frequência
Crianças ativas devem comer pelo menos cinco vezes ao dia, consumir cinco porções de fruta e tomar um café da manhã reforçado
Dicas da nutiricionista
Patricia Davidson
