Como diferenciar a gripe suína da gripe comum
Marcelo Gigliotti , JB Online
RIO - Com o aumento do número de casos confirmados de gripe suína no Brasil (1.175), além das 11 mortes já registradas no país, as pessoas que apresentam sintomas de gripe estão preocupadas em saber qual o tipo de vírus contraíram. Ou seja, se pegaram gripe suína ou gripe comum. Segundo especialistas, é muito difícil fazer um diagnóstico preciso sem a realização de exames de laboratório. Além disso, o vínculo com viagens ao exterior não é mais o único indicador de que se trata de gripe suína. Mas há alguns sinais específicos que indicam ou sugerem o quadro de gripe suína, especialmente os sintomas gastrointestinais, que ocorrem com mais frequência em pacientes infectados com o influenza A (H1N1).
Um levantamento feito nos EUA mostra que 25% dos infectados com gripe suína tiveram problemas gastrointestinais, como vômitos e diarreias diz o edpidemiologista da UFRJ, Roberto Medronho.
O médico Alberto Chebabo, também da UFRJ, concorda com Medronho em relação a uma frequência de sintomas gastrointestinais dos pacientes infectados com a gripe suína.
Isto tem ocorrido especialmente com crianças. Mas é bom ressalvar que outras viroses também causam estes problemas diz Chebabo, que trabalha no Hospital do Fundão, uma das unidades de referência para tratamento da doença.
Medronho, por sua vez, diz que em adultos, falta de ar e pressão baixa também sugerem quadro de gripe suína. Já em crianças, deve-se atentar para dificuldades respiratórias. Outro sinal seria as costelas ficarem evidenciadas durante a respiração.
O infectologista Alex Botsaris identifica outras diferenças entre a gripe comum e a suína. Segundo ele, a gripe suína provoca dor de cabeça mais intensa e por um período mais prolongado. Causa ainda dores abdominais mais fortes e alteração do ritmo intestinal.
Além disso, pessoas jovens ou crianças com histórico de boa saúde que apresentam um quadro grave de gripe com falta de ar e muita tosse devem ser examinadas com mais atenção. A ausculta que aponta muitos roncos e sibilos no aparelho respiratório é sugestiva de gripe suína diz Botsaris.
Já o epidemiologista da UFRJ Edmilson Migowski diz que um referencial importante para diagnosticar a gripe suína em exame clínico é o fato de a pessoa ter tomado ou não a vacina contra a gripe sazonal.
Se ela se vacinou, as chances de se tratar de gripe suína são maiores diz o médico, que atende no Hospital de Bonsucesso, da rede pública, e também concorda que a gripe suína provoca mais complicações gastrointestinais.
Todos os especialistas são unânimes em dizer, no entanto, que o importante para quem apresentar um quadro gripal, com febre e dores no corpo, é procurar atendimento médico, seja na rede pública ou na particular.
Agora, de acordo com recomendações do Ministério da Saúde, não estamos fazendo distinção se a pessoa tem gripe suína ou comum. A prioridade é identificar casos graves e iniciar tratamento com antivirais diz Chebabo.
Segundo ele, os médicos, ao atenderem uma pessoa com sintomas de gripe, devem avaliar a gravidade do caso.
Se a febre for baixa e os sintomas mais brandos, a recomendação é para o paciente ficar em repouso em casa. Mas se passarem, após isso, três ou quatro dias e a febre não baixar, o paciente deve voltar ao médico para ser reavaliado diz Chebabo.
Botsaris concorda:
Se a pessoa já tiver ido ao médico e apresentar piora depois disso, ou não melhorar, ela tem que voltar ao médico. Se em dois ou três dias os sintomas não diminuírem é fundamental procurar um serviço de saúde diz.
