Gripe Suína: Subnotificação preocupa especialistas
Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - A decisão do Ministério da Saúde de não realizar exames de laboratório em todos os pacientes com suspeita de gripe suína pode levar, de acordo com alguns especialistas, a um grau muito alto de subnotificação da doença. Ou seja, sem os diagnósticos confirmados por coleta de sangue, o número de casos poderia não retratar a real extensão da epidemia no país. O Brasil tem 977 casos confirmados por exames até agora.
Sem os exames, não teremos como verificar se está havendo uma transmissão sustentada da gripe suína no Brasil alerta o infectologista Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Pelas novas regras do Ministério da Saúde, a coleta de sangue para exames se dará apenas em pacientes com quadros sintomáticos graves ou aqueles incluídos em grupos de risco crianças com menos de dois anos, idosos acima de 60, e pessoas com baixa imunidade ou portadoras de doenças como Aids e diabetes.
Entendo que não há como coletar o sangue de todas as pessoas gripadas, mas poderia ser feita uma coleta por amostragem, especialmente em pessoas que não viajaram para países afetados ou que não tiveram contato com quem viajou diz Migowski.
Para o infectologista, esta amostragem poderia indicar se está havendo transmissão sustentada quando ocorre entre pessoas sem vínculos com estas viagens ao exterior, o que indicaria que o vírus circula no país.
Se desde o início da epidemia, a Organização Mundial da Saúde não tivesse recomendado que fossem realizados exames, a pandemia não teria sido declarada diz.
O presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de janeiro, Samuel Kierszembaum, considera, por sua vez, que a medida do Ministério da Saúde foi acertada.
Outros parâmetros
Vejo muita coerência nesta medida. Há outros parâmetros para se estimar a extensão de uma epidemia, mesmo que não seja o número exato de casos comenta o presidente da entidade.
Segundo ele, um dos parâmetros é o diagnóstico por vínculo epidemiológico.
Se há um surto num determinado local, com um caso com claro diagnóstico clínico, pode-se dizer que há uma epidemia e então se estimar um volume de casos comenta.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, vê com preocupação a restrição em relação aos exames.
Como a gente avalia a repercussão de uma doença numa população? Exatamente contando o número de casos. Se limitarmos a realização de exames, passaremos a ter um resultado que não expressa a realidade diz Darze.
Ele admite, porém, que o diagnóstico por vínculo epidemiológico é válido. Mas ressalva que isto se dá com doenças conhecidas, como a dengue ou a meningite:
O problema é que se trata de uma doença nova, a qual precisamos descobrir sobretudo a taxa de letalidade.
