Controle do diabetes e saúde bucal têm relação íntima
Cristine Gerk, Jornal do Brasil
RIO - Assim como a boca influencia o corpo, o caminho inverso também é verdadeiro o cuidado com os dentes precisa ser redobrado em pacientes com doenças crônicas, sobretudo o diabetes, porque os males provocam uma maior frequência nas complicações bucais. No Brasil, 11% da população com mais de 40 anos hoje tem diabetes são 10 milhões de pacientes ao todo.
O diabetes também pode influenciar o periodonto. A microbiota fica alterada, respondendo de forma atrasada ao microorganismo. Também há mais destruição que formação de colágeno. Quem tem controle glicêmico ruim fica com os sinais clínicos inflamatórios alterados na doença periodontal e há um aumento no grau da inflamação explica o médico Giuseppe Alexandre Romito.
Em jovens entre 13 e 18 anos com diabetes, há um aumento de 14% no diagnóstico de periodontite. A perda dental também é cerca de três vezes mais rápida em quem tem a doença e muitas vezes a gravidade do problema fica camuflada, só sendo percebida por radiografias. Quando o paciente controla a glicemia, ele consegue melhorar muito o sangramento na gengiva e a vermelhidão.
O tratamento periodontal no paciente diabético demanda uma boa anamnese, é preciso saber o histórico e as características da doença. No paciente com glicemia controlada, o tratamento é semelhante ao do não-diabético, ou seja, acompanhamento de dois a três meses e o antibiótico na maioria das vezes não é necessário. Em pacientes com glicemia não controlada, é preciso fazer um tratamento de emergência na gengiva, usar antibiótico profilático e fazer controle metabólico. A cirurgia só pode ser feita em pacientes controlados lista Romito.
