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Desmatamento na Amazônia este ano será maior do que em 2007

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JB Online

SÃO PAULO - O desmatamento da região Amazônica este ano será maior do que o registrado nos anos de 2006 e 2007, segundo os dados do Deter. A afirmação foi feita pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Gilberto Câmara, no simpósio Desmatamento na Amazônia: a visão dos diferentes setores da sociedade, realizado na tarde desta última quinta-feira, na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas (SP).

Câmara disse que os dados ainda estão sendo coletados e analisados, mas a queda na taxa de desmatamento verificada nos últimos três anos será interrompida este ano . Ele explicou que essa taxa se refere ao denominado corte raso , que se refere àquelas áreas nas quais a vegetação foi totalmente eliminada .

O diretor do Inpe explicou que a polêmica em torno dos números do desmatamento gira em torno da metodologia de interpretação dos dados. As áreas florestais são monitoradas mensalmente.

- Quando o satélite detecta o corte de árvores em alguma área, mas a floresta continua em pé, alertamos as autoridades do setor - afirmou Câmara.

Ele pontuou que essa mesma área no monitoramento pode indicar a continuidade da ação devastadora ou não. Todavia, se a derruba prossegue chega à fase que o Inpe denomina de corte raso, ou seja, a degradação total da vegetação com dificuldade ou total possibilidade de reposição da cobertura vegetal. A taxa que apresenta esses números é apresentada uma vez por ano pelo Inpe.

A pesquisadora do Inpe Ana Paula Dutra apresentou no Simpósio as discussões e propostas para a questão do desmatamento resultantes de um encontro realizado em maio último, em Belém.

- Lá estiveram os mais variados segmentos e instituições envolvidas na questão ambiental e o que podemos verificar é que as visões sobre essa problemática são tantas quantos são os atores envolvidos - disse.

Para ela, porém, o problema de desmatamento, siga ele o caminho que seguir, desemboca na questão sócio-econômica.

O pesquisador Roberto Araújo Santos Júnior do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) disse acompanhar a questão Amazônica há vários anos e acha também que a solução para o desmatamento é bastante complexa, e passa pela construção de um novo modelo sócio-econômico . Para ele, não basta reprimir a ação de madeireiros, pecuaristas, agricultores, industriais e outros atores.

- A discussão é muito ampla e perpassa por muitos interesses, se ninguém concordar em ceder uma parte desses interesses não se irá a lugar algum - disse.

As informações são do Ministério de Ciência e Tecnologia