Perda de emprego é trauma mais duradouro que viuvez

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Jornal do Brasil

RIO - Estudo conclui que desemprego afeta humor até cinco anos depois

Segundo um estudo realizado na Alemanha, perder o emprego é mais traumático do que ficar viúvo ou divorciado por causar um abalo mais duradouro no estado de espírito.

A pesquisa analisou o nível de felicidade de centenas de alemães durante 20 anos para descobrir as origens da felicidade a longo prazo.

Economistas da Grã-Bretanha, Estados Unidos e França examinaram um processo psicológico chamado adaptação a forma como os seres humanos ajustam seu humor a novas circunstâncias boas ou más.

Essencialmente, o nível básico de felicidade de uma pessoa comum permanece o mesmo durante toda a vida adulta, concluíram os pesquisadores um artigo na publicação especializada Economic Journal.

Mesmo depois de acontecimentos traumáticos e que causam grande infelicidade, as pessoas se recuperam, segundo o estudo. Inexplicavelmente, uma das coisas mais difíceis de engolir é perder o emprego.

Durante os 20 anos do estudo, voluntários alemães com idades entre 18 e 60 anos responderam regularmente a questionários pedindo que eles medissem seu próprio grau de felicidade.

No questionário também se pedia que mencionassem fatos importantes que ocorreram em suas vidas, analisando-os em escala.

Os pesquisadores constataram que, cinco anos depois da ocorrência de um evento traumático, apenas a perda de um emprego continuou causando uma redução do bom humor dos entrevistados.

O desemprego deprime mais os homens do que as mulheres, mas em outras ocorrências, de maneira geral, a reação entre os sexos é muito semelhante.

No caso de outros eventos traumáticos, tais como viuvez e divórcio, o estado de espírito foi abalado, mas depois houve uma recuperação.

A pesquisa concluiu que acontecimentos positivos na vida de uma pessoa, como ter filhos ou casar-se, podem até trazer um grau maior de felicidade, mas essa euforia é bastante passageira.

Segundo o estudo, a felicidade de ter um filho dura apenas cerca de 2 anos, depois desaparece. A satisfação de se receber um aumento ou uma promoção também não deixa nenhum indício de aumento de felicidade a longo prazo.

Adaptação

O outro lado da moeda é que a maioria das pessoas tem a capacidade de se adaptar com rapidez aos eventos traumáticos da vida, como a morte de um familiar ou o divórcio.

Yannis Georgellis, da Universidade de Brunel, na Inglaterra, que participou da elaboração do estudo, disse que suas conclusões sugerem que o velho ditado de que o tempo cura tudo pode ser verdadeiro em muitos casos.

Segundo o especialista, seu estudo reforça a tese de outros trabalhos que dizem que a maioria das pessoas se recuperam de acontecimentos negativos muito depressa.

Há alguma literatura sobre pessoas que se tornaram paraplégicas que, quando entrevistadas poucos anos depois, tinham níveis de felicidade similares aos de pessoas que não foram afetadas desta maneira disse Georgellis. Da mesma forma, há estudos de pessoas que ganharam na loteria que não são mais felizes no longo prazo.