Especialistas defenderão prevenção em conferência sobre aids
Agência EFE
SYDNEY - Cerca de 5 mil especialistas de todo o mundo defenderão a prevenção biomédica como forma de lutar contra a aids na IV Conferência da Associação Internacional de Aids (IAS), entre 22 e 25 de julho, em Sydney.
A reunião bienal de especialistas em aids aconteceu pela última vez no Rio de Janeiro. Antes do encontro deste ano, a revista médica britânica "The Lancet" dedicou um número especial à doença, que em 2006 matou 2,9 milhões de pessoas no mundo todo, segundo o último relatório da Unaids.
O programa da conferência reflete um aumento no interesse dos especialistas em microbicidas e vacinas. A circuncisão também entra na luta contra a pandemia, segundo a publicação britânica.
Médicos americanos destacam as pesquisas sobre o uso preventivo de anti-retrovirais em pacientes ainda não infectados. A técnica pode reduzir o índice de transmissão da aids, sem efeitos colaterais.
Entre as medidas a serem adotadas imediatamente, os cientistas recomendam garantir o acesso a estes remédios, minimizar o potencial aumento das práticas de risco e impedir que o HIV se torne resistente ao tratamento.
O médico espanhol José Este, do Hospital Universitari Germans (Barcelona), alerta para a necessidade de novos tipos de remédios anti-retrovirais na luta contra a aids.
Ele observa "os cada vez mais preocupantes efeitos tóxicos a longo prazo que as drogas atuais produzem nos pacientes", além da necessidade de "combater as variantes do HIV resistentes aos tratamentos".
Entre os novos tipos de tratamento, o espanhol destaca os remédios inibidores de entrada, uma nova classe de remédios contra o HIV que funciona bloqueando a capacidade do vírus de infectar a célula.
Pesquisadores do Brasil e da Itália esperam que o remédio experimental etravirina, conhecido também como TMC125, faça parte da próxima geração de anti-retrovirais, que combatem os vírus resistentes. O avanço representa uma grande barreira contra o desenvolvimento da resistência aos remédios.
Os dois grupos de cientistas confirmaram que o remédio é um potente agente para a neutralização do vírus.
Para reduzir o número de crianças infectadas com o HIV, o professor Philip Goulder, da Universidade de Oxford, recomenda o acesso universal à prevenção e os métodos de análise que detectam a transmissão de mães para filhos.
- Uma análise das crianças expostas ao vírus para saber se estão infectadas ajudaria no tratamento com remédios preventivos, que devem ser acessíveis a todos que precisem - disse.
