Ligação entre aquecimento global e furacões causa controvérsia

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REUTERS

WASHINGTON - Cientistas da área climática concordam que tem havido muitos furacões fortes ultimamente. Eles afirmam que a temperatura mais quente dos oceanos deu força extra a estas tempestades, porém discordam sobre qual o peso do aquecimento global nisso.

Com a proximidade da temporada de Furacões de 2007, a polêmica sobre o papel da mudança climática no aumento da intensidade dos furacões é tema de debate entre os pesquisadores que observam as águas e as nuvens, e trabalham para descobrir o que torna esses fenômenos tão furiosos.

- Até onde eu sei, não há dúvida de que as temperaturas mais altas da água significam mais energia para estas tempestades se alimentarem, disse Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, que é parte de um consórcio de universidades dos Estados Unidos.

Trenberth afirma que a próxima questão lógica é: como a temperatura da superfície da água mudou nos últimos 30 anos e 'é aí que os aspectos do aquecimento global entram e aí que parecem estar algumas das polêmicas.'

Trenberth está convencido de que o aquecimento global é um grande fator dos furacões letais, e ele não está sozinho.

O Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática, que neste ano apresentou as consequências do aquecimento global em uma série de relatórios, disse que provavelmente os futuros furacões e tufões serão mais intensos, porque os mares tropicais continuam esquentando.

Mas Chris Landsea, do Centro Nacional de Furacões dos EUA, em Miami, afirma que a mudança climática é um pedaço pequeno no quebra-cabeças da intensidade dos furacões, comparado aos ciclos de longo prazo de clima, que podem durar décadas.

- A questão importante não é se há um impacto, mas quanto impacto, disse Landsea em entrevista por telefone.

Landsea disse que os furacões ficam cerca de 2 por cento mais fortes a cada aumento de 0,55 grau centígrado na superfície da água.

Esta foi a média de aumento nos últimos 100 anos das temperaturas do mar no Atlântico tropical, no Caribe e no Golfo do México, onde nascem os grandes furacões, mas somente metade disso é consequência do aquecimento global causado por humanos, afirmou.

Ele disse que 1 por cento de diferença na intensidade, medida pela força dos ventos, faz pouca diferença, mesmo em uma tempestade com a força devastadora do Katrina, em 2005, que teve a classificação máxima de furacões, a Categoria 5.

Mas Trenberth lembrou que a mudança climática foi um fator importante no aumento da temperatura das águas em 2005, quando a temporada de furacões quebrou recordes de intensidade.

As temperaturas dos mares tropicais subiram 0,92 grau em 2005.

- É bem mais alto que o recorde seguinte no período, disse. O aquecimento global foi responsável por cerca de metade deste aumento, segundo ele.

Em contrate, o fenômeno El Niño, no Oceano Pacífico, foi responsável por aumento de 0,38 grau centígrado da temperatura nos mares tropicais naquele ano, e o ciclo de aquecimento e queda de temperaturas do Atlântico contribuiu com 0,19 grau, de acordo com Trenberth.

Kerry Emanuel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirma que o aquecimento global causado por humanos contribui para a intensidade dos furacões.

Ele afirma que não há evidências de que ciclos naturais ou fenômenos climáticos regionais no Atlântico estejam afetando as temperaturas das águas, que têm impacto nos furacões.

John Holdren, cientista climático da Universidade Harvard e chefe da comissão diretiva da Associação Americana para o Avanço da Ciência, disse que a pesquisa de Emanuel é uma prova da influência da mudança climática nos furacões.

Mas o assunto não está resolvido. Um estudo publicado pela revista Nature na última semana disse que furacões dos últimos 5.000 anos parecem ter sido mais controlados pelo El Niño e pelas monções da África do que pelas temperaturas altas das águas locais.