Proteína é responsável pela duração das lembranças

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Mariana Ferraz, Agência JB

RIO - NEUROLOGIA-Descoberto mecanismo químico que garante a permanência da memória

A capacidade do cérebro de guardar informações e de recordá-las no momento desejado sempre intrigou os cientistas. Como, afinal, isso acontece? A resposta parece estar, em parte, na expressão de uma proteína na área do cérebro conhecida como hipocampo, concluiu um estudo feito em parceria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Buenos Aires, na Argentina.

A proteína em questão é a BDNF, cuja função é enviar sinais para que os neurônios cresçam e estabeleçam ligações entre si. Os neurocientistas Martín Cammarota e Iván Izquierdo, ambos da PUCRS, desenvolveram uma pesquisa na qual ratos foram treinados para não descer de uma plataforma caso o fizessem levavam um pequeno choque. Após 12 horas do fim do treino, os ratos foram recolocados na plataforma e testados quanto à permanência do aprendizado enquanto tinham a atividade cerebral monitorada. O resultado mostrou que a expressão da BDNF aumentava quando o rato precisava lembrar do que aprendera horas antes.

Para confirmar a influência da proteína, os pesquisadores impediram sua síntese ou sua ação. O resultado foi que os ratos esqueceram que não podiam descer de onde estavam. Segundo os cientistas, o dado indica que o cérebro precisa continuar trabalhando horas depois do recebimento da informação, para que ela realmente se consolide na memória. A principal implicação do fato, diz Cammarota, é a dissociação dos fenômenos de formação e permanência da memória. Ele afirma ainda que até recentemente se achava que, quanto mais intenso um fato, mais tempo ele é lembrado.

Os resultados sugerem que essa dependência não é tão forte.

Segundo ele, é provável que seja possível modificar o tempo de permanência de um fenômeno na memória sem alterar sua intensidade, inclusive com o uso de fármacos.