PC popular a US$ 100 é sonho que atrai comerciantes

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Agência AFP

WASHINGTON - O projeto filantrópico de oferecer milhões de computadores portáteis baratos a estudantes de países pobres começa a ser desenvolvido apenas em setembro, mas já está sendo disputado pela Intel e outros dois grupos indianos que querem fabricá-los a preços ainda mais baixos. O Brasil já se mostrou interessado na proposta.

Nicholas Negroponte, líder do laboratório de mídia do prestigioso MIT (Massachusetts Institute of Technology), lançou em janeiro de 2005, no Fórum de Davos, a idéia de um computador a preço popular que os governos de países emergentes comprariam em massa para oferecer às suas crianças. Para ele, o computador é a chave da educação e do desenvolvimento.

A organização sem fins lucrativos "One LapTop Per Child" (OLPC, um computador portátil por criança) de Negroponte reuniu grandes empresas e instituições, e vai começar a produção neste outono, disse Michail Bletsas, um dos responsáveis da OLPC.

O laptop vai ser fabricado pelo grupo chinês Quanta: o objetivo é que esta empresa fabrique 40 mil computadores por mês a partir de setembro, passando a 400 mil unidades mensais no fim de 2007.

- A intenção é fazer com que se produza pelo menos três milhões em uma primeira onda - detalhou.

Mas a OLPC não pôde precisar se e quais países teriam feito o pedido, mas a porta-voz Jackie Lustig adiantou "não ter pedidos para um milhão de computadores atualmente". Ela disse apenas ter começado discussões com Brasil, Argentina, Uruguai, Peru, Nigéria, Tailândia, Paquistão, Rússia, Ruanda e outros países.

Além disso, a porta-voz revelou não esperar que se reduza o preço simbólico de US$ 100: o aparelho custará US$ 175 no início, mas o valor deve chegar aos US$ 100 em 2009. Negroponte queria um aparelho específico e inovador, batizado de XO: um laptop pequeno, robusto, fácil de usar, que funciona com o sistema de software livre e gratuito Linux, e não com o Windows, da Microsoft.

Entre seus favoritos está o grupo AMD, que fornece o microprocessador, RedHat, fornecedor do sistema, Google, eBay e NewsCorp. O XO deixou para trás a manivela inicial prevista (para o caso de faltar luz), e compreende agora uma câmera, conexões Bluetooth e wi-fi, além de uma memória de um gigabyte.

A OCPC distribuiu algumas centenas de unidades em escolas de Nigéria, Tailância e Uruguai, e pretende ainda fornecer outros poucos milhões de computadores. Mas o projeto não convenceu ainda: nenhum país confirmou ter feito pedidos.

Alguns lamentaram a ausência do Windows, outros criticaram violentamente o projeto: o governo indiano julga "mais urgente ter salas de aula com professores do que ter ferramentas fantasiosas", divulgou a imprensa local.

O maior rival da AMD, o grupo Intel, qualificou de "gadget" a máquina do concorrente e lançou um produto semelhante, batizado de "Classmate". Fabricado em Taiwan, o "Classmate" custa US$ 285 hoje, mas terá o preço de US$ 200 no fim de 2007, afirmou Agnes Kwan, porta-voz da Intel.

A Intel já "entregou mais de 10 mil ao Brasil", México ou Nigéria e quer produzir mais 100 mil máquinas até setembro. O Paquistão fez um pedido de 700 mil unidades para 2009, ressaltou.

Escandalizado com esta concorrência comercial, Negroponte declarou no último final de semana que a "Intel deveria ter vergonha" e a acusa de vender abaixo do custo para eliminar o XO. A Intel desmentiu formalmente a informação.

A OLPC deve contar também com rivais indianos ainda mais agressivos: o grupo Novatium acabou de lançar um "NetPC" básico por US$ 80 e, segundo a imprensa, o governo indiano estabeleceu um prazo de dois anos para fabricar um PC ao preço de US$ 10.

O mercado dos países pobres é, por outro lado, tão tentador que a Microsoft vai lançar para eles um conjunto de softwares Windows e Office ao custo de US$ 3.