Criada água 'superoxigenada' que acelera curas
Agência JB
LOS ANGELES (EUA) - Cientistas americanos desenvolveram uma água 'superoxigenada' que, segundo os pesquisadores, acelera a cura de ferimentos. Segundo a Oculus, companhia da Califórnia que desenvolveu o produto - chamado Microcyn - a nova água superoxigenada não fere tecido humano e foi desenvolvida com a filtragem da água purificada por uma membrana salina semipermeável - e por isso mata vírus, bactérias e fungos.
A informação foi publicada na revista científica New Scientist e apresentada na semana passada em uma conferência biomédica em Monte Carlo, Mônaco. Segundo os cientistas, feridas de pacientes com diabetes, tratadas com o novo produto e um antibiótico foram curadas em 43 dias - em média - comparados com os 55 dias necessários para curar pacientes com um antibiótico e iodo.
Íons oxicloro - as espécies de cloro oxigenadas, incluindo hipoclorito e outras - são os ingredientes básicos, pois perfuram rapidamente as paredes de micróbios soltos e matam estes micróbios. Células humanas são poupadas, pois estão unidas em uma matriz, segundo Hoki Alimi, fundados da Oculus.
- Microcyn mata apenas células que consegue cercar completamente - disse.
Água sanitária também tem várias moléculas eletricamente carregadas, como o hipoclorito, mas em uma concentração bem mais alta do que a água. As pesquisas mostraram que a nova água oxigenada - mesmo contendo 300 vezes menos hipoclorito do que a água sanitária - mata dez variedades de bactérias que são resistentes à água sanitária.
O produto foi aprovado nos Estados Unidos para a limpeza de feridas. Mas alguns médicos vão além no uso da nova água oxigenada, aplicando o produto repetidamente na ferida.
- Quando você aplica com um spray (na ferida) você vê o tecido tratado ficar rosado, e depois ficar carnudo, o que é bom, pois significa que o fornecimento de oxigênio (na área afetada pela ferida) foi retomado - disse Cheryl Bongiovanni, diretor de tratamento de feridas no Hospital Lake District, em Lakeview, Oregon.
O hospital usou o Microcyn em mil pacientes diabéticos com feridas nos pés e pernas nos últimos 18 meses. A segunda fase dos testes do produto e do seu potencial para cura de feridas está ocorrendo nos Estados Unidos e Europa.
- Parece promissor. Esperamos que o produto confirme nossa boa experiência inicial - disse Andrew Boulton, do Hospital Real de Manchester, na Grã-Bretanha, que está realizando um destes testes.
Tracy Kelly, da organização britânica Diabetes UK, disse que 15% das pessoas com diabetes que desenvolvem feridas nos pés acabam tendo que amputar um membro.
- Aprovamos qualquer tratamento eficaz e seguro que possa ajudar na aceleração da recuperação - disse.
(BBC Brasil)
