Biólogos fotografam vírus da febre aftosa
Agência EFE
MADRI - Biólogos fotografaram o vírus da febre aftosa em nível atômico, em diferentes estágios de replicação, o que abre portas para o desenvolvimento de novos remédios ou tratamentos mais eficazes contra esse e outros vírus, como os do resfriado, poliomielite ou hepatite C.
A pesquisadora Nuria Verdaguer, do Instituto de Biologia Molecular de Barcelona (CSIC), principal autora do estudo, explicou que o objetivo era ver como se dão os diferentes passos de replicação do vírus e comprovar como se incorporam os nucleótidos e as drogas análogas em um vírus-modelo, de modo que pudessem servir em aplicações químicas como inibidores da replicação.
A pesquisa básica foi publicada no último número da revista PNAS e também teve participação de cientistas do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa de Madri.
A idéia é facilitar o projeto de novos remédios. Se conhecermos como se incorporam substratos ao RNA, poderão ser desenvolvidos outros que enganem melhor que os atuais.
A Ribavirina já funciona como antiviral, mas talvez seja possível encontrar outro substrato que atue melhor se forem entendidas as interações que se dão entre a proteína e o vírus, acrescentou.
Segundo Verdaguer, a Ribavirina é um inibidor do vírus porque é um composto que praticamente mimetiza os substratos naturais e incorpora erros ao material genético. Este processo é denominado catástrofe de erro, e está começando a ser utilizado como estratégia antiviral contra diferentes tipos de vírus.
Com esta pesquisa, foram obtidas imagens fixas de diferentes estágios de replicação do vírus da febre aftosa.
- O resultado será provavelmente muito parecido com o que se veria se fosse feito o mesmo com os rinovírus (causadores do resfriado comum) e os poliovírus (da poliomielite).
- Com um cristal congelado, viu-se a estrutura dos diferentes estágios de replicação e a incorporação de novos nucleótidos à cadeia de RNA, observando-se como o vírus se reproduz - acrescentou.
Até agora não tinha sido possível fotografar picornavírus, cujos hóspedes são mamíferos, como ocorre com a febre aftosa (que se dá em vacas, porcos, etc), ou humanos, no caso do rinovírus e do poliovírus.
O que existia era um trabalho muito parecido, segundo o especialista, baseado na introdução de nucleótidos a um bacteriófago (vírus que ataca bactérias).
Verdaguer lembrou que o vírus da hepatite C é um vírus RNA de cadeia positiva, como os da aftosa. Por isso, uma maior compreensão destes permitirá tratamentos mais efetivos também contra essa doença.
