Astrônomos conseguem prova da existência de matéria escura

Por

Agência EFE

WASHINGTON - O telescópio espacial Hubble enviou a primeira imagem de um anel misterioso que circunda um amontoado de galáxias, a 5 bilhões de anos-luz da Terra, o que os astrônomos descreveram nesta terça-feira como 'a primeira prova da existência da matéria escura'.

- Embora a matéria invisível tenha sido encontrada antes em outros conjuntos de galáxias, jamais fora detectada tão separada do gás quente e das galáxias que formam o conjunto - disse em uma teleconferência Myungkook James Jee, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore (Maryland).

Os cientistas acreditam que a matéria escura compõe a maior parte da massa que exerce gravidade no Universo, mas apenas 10% são detectadas pelos sentidos humanos.

Os estudiosos sustentam que, se não houvesse matéria escura, as galáxias, como a Via Láctea, teriam se dispersado por falta de uma "cola' gravitacional.

- Esta é a primeira vez que detectamos a matéria escura como uma estrutura única diferente do gás e das galáxias no conjunto, identificado como ZwCl0024+1652 - disse Jee.

Na mesma teleconferência, Richard Massey, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, expressou certa desconfiança sobre a descoberta, e lembrou que 'esse mesmo grupo de galáxias foi mencionado em outros anúncios, dos quais se fez bastante publicidade'.

- Precisamos de uma confirmação, de mais observações - acrescentou Massey. - E, infelizmente, estas imagens foram obtidas pouco antes de se desmontar a câmera que as captou.

A Nasa colocou algumas imagens compostas na Internet que mostram um aglomerado de galáxias envolvido por uma nuvem de gases, em torno do qual há um anel escuro de cerca de 2,6 milhões de anos-luz de diâmetro.

Mas, depois do anel - de suposta matéria escura - a luminosidade dessa região do espaço continua.

- A observação de uma estrutura de matéria escura, que não está marcada por galáxias e gás quente, nos permite estudar como seu comportamento é diferente do apresentado pela matéria normal - disse Jee.

Durante a análise da matéria escura revelada pelas imagens enviadas pelo Hubble, os astrônomos notaram um movimento parecido com o das ondas formadas pela queda de uma pedra na água de um tanque.

A observação desta matéria é difícil, porque ela não emite e não reflete luz. Com isso, os astrônomos só podem detectar sua influência pela maneira como sua força de gravidade afeta a luz.

Para encontrá-la, os astrônomos estudam a gravidade da matéria escura de uma galáxia mais próxima, para descobrir como a luz das galáxias distantes é distorcida e esfumaçada em arcos e bandas.

Esta matéria é composta por átomos muito diferentes dos que formam a matéria normal das estrelas e galáxias. Os cientistas acham que o cruzamento da matéria escura não seria percebido pelos humanos, mas que o mesmo não ocorreria em caso de colisão de duas áreas de massa escura.

O anel detectado pelos astrônomos hoje se formou quando dois gigantescos grupos de galáxias se chocaram, há um ou dois bilhões de anos. Para sorte dos estudiosos, o choque aconteceu numa região que está no ângulo de visão do Hubble.

- A colisão dos dois amontoados galáticos criou uma onda de matéria escura que deixou vestígios muito claros nas formas das galáxias mais distantes - disse Jee.

- É como olhar as pedras no fundo de um tanque, quando há pequenas ondas na superfície - explicou.

- As formas das pedras parecem mudar à medida que as ondas se movimentam em cima. Da mesma maneira, as galáxias mais distantes, por trás do anel, mostram mudanças de suas formas correspondentes à presença do denso anel de matéria escura.