Cientistas descobrem em aves um mecanismo de defesa contra a malária

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Agência EFE

MADRI - Cientistas espanhóis descobriram em uma espécie de ave silvestre um mecanismo de defesa contra um parasita aparentado com o da malária, que no futuro poderia se traduzir em uma aplicação terapêutica contra a doença em humanos.

Segundo o pesquisador Josué Martínez de la Puente, um dos autores do trabalho, publicado pela revista 'Parasitology', foi comprovado que o chapim-azul (parus caeruleus) eleva seu nível de imunoglobulina se estiver infectado pelo haemoproteus, um protozoário 'estreitamente aparentado' com o parasita da malária.

Quanto maior é o nível de imunoglobulina menor é o número de células infectadas pelo haemoproteus, como comprovou o Grupo de Estudo da Ecologia do Parasitismo do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha.

A equipe descobriu também que, quando vários protozoários invadem um mesmo glóbulo vermelho, fenômeno que recebe o nome de 'invasão múltipla', raramente o parasita chega à idade madura, de modo que reduz sua transmissão.

As 'invasões múltiplas' são mais freqüentes quanto maior concentração houver de imunoglobulina, um anticorpo produzido pelo próprio animal, o que levou os cientistas a pensar que se trata de um mecanismo de defesa contra a infecção.

A imunoglobulina poderia unir os parasitas para que dois invadissem uma mesma célula, reduzindo assim o número de células afetadas, segundo Martínez.

Para o cientista, o fato de que este mecanismo seja observado em animais silvestres 'sugere que também poderia ocorrer em humanos e outros vertebrados'.

Isto abriria a possibilidade de desenvolver tratamentos que possam potencializar este mecanismo para reduzir a transmissão do parasita entre pessoas infectadas por malária, embora 'seja preciso tomá-lo com cautela', segundo o pesquisador.

O estudo, dirigido por Santiago Merino, foi desenvolvido após um extenso trabalho de amostragem nos montes de Valsaín (Segóvia, centro da Espanha) no qual era analisado o sangue, 'extraído mediante uma técnica não agressiva', de filhotes de chapim-azul com entre 3 e 13 dias de vida.

Os parasitas da malária são protozoários que se transmitem de uma pessoa a outra pela picada de um inseto vetor, geralmente um mosquito.

Os protozoários pertencem ao gênero plasmodium e são tanto parasitas de seres humanos como de outros vertebrados, de répteis a mamíferos.

A malária é a primeira causa de doenças debilitantes, com mais de 200 milhões de casos a cada ano no mundo todo.