OMS estuda maneiras de garantir vacinas contra o vírus H5N1

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Agência EFE

GENEBRA - A recusa da Indonésia a compartilhar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) dados sobre o vírus H5N1 forçou nesta sexta-feira a convocação de uma reunião com países da Ásia e do Pacífico, para estudar mecanismos que lhes permitam garantir seu acesso a vacinas eficazes a preços acessíveis.

O diretor para doenças transmissíveis da OMS, David Heymann, e a ministra de Saúde indonésia, Siti Fadillah Supari, assinaram hoje em Jacarta uma declaração conjunta a esse respeito, informou a organização sanitária com sede em Genebra.

A Indonésia, o país com maior número de vítimas humanas em consequência da gripe aviária, não compartilhava desde o início do ano as mostras clínicas dos casos registrados em seu território, pois negociava com o laboratório americano Baxter a produção de uma vacina.

O Governo de Jacarta adotou essa decisão ao ver que a indústria farmacêutica utilizava o vírus H5N1 que se propagou na Indonésia ser utilizado para desenvolver vacinas, sem que seus cidadãos se beneficiassem disso.

- As autoridades indonésias sentiam que a Indonésia devia receber algum tipo de compensação pela produção e a comercialização dessas vacinas - explicou Heymann.

Em 7 de fevereiro, a Indonésia, que é o país mais afetado pela gripe aviária, com 63 pessoas mortas, anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com Baxter, para a produção de uma vacina para a cepa do vírus que afeta esse estado.

Pouco mais de uma semana depois, o responsável da OMS e a ministra indonésia se reuniram para estudar a polêmica, mas só chegaram a um acordo para uma declaração conjunta, na qual Jacarta não modifica sua atitude.

A OMS assegura em comunicado que o caso da Indonésia 'alertou a comunidade internacional para a necessidade de que os países em desenvolvimento compartilhem as mostras dos vírus detectados em seu território'.

Entre esses benefícios, deveria constar o 'acesso a vacinas de qualidade contra a pandemia a preços acessíveis'.

Ambas as partes se comprometeram a convocar uma reunião com 'um grupo seleto de países' da Ásia e do Pacífico, para 'identificar mecanismos que garantam um acesso equitativo às vacinas contra a gripe e a sua produção'.

Para evitar mais polêmicas, a organização da ONU 'apóia totalmente' a estratégia a curto prazo da Indonésia de negociar com uma companhia a produção de vacinas que se ajustem a suas necessidades.

Também apóia 'a estratégia a longo prazo, que também é necessária, de desenvolver sua capacidade através da transferência de tecnologia'.