Recém-nascido é capaz de sentir dor, diz estudo

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AFP

PARIS - Muitos médicos evitam dar analgésicos a recém-nascidos durante procedimentos cirúrgicos por acreditarem que eles não são capazes de sentir dor, mas um novo estudo demonstra que este conceito pode estar errado, anunciou nesta quinta-feira o Instituto Karolinska da Suécia.

- Novas técnicas de medição mostram que bebês prematuros demonstram todos os sinais de uma experiência consciente de dor, destacou o instituto em um comunicado, citando a tese de doutorado do cientista ítalo-sueco Marco Bartocci, que será defendida nesta sexta-feira.

- Por muitos anos, os médicos presumiam que fetos, bebês prematuros e recém-nascidos totalmente desenvolvidos não tinham as funções cerebrais corticais necessárias para se sentir dor, ressaltou.

- As reações dos bebês a estímulos potencialmente dolorosos eram explicadas como reflexos inconscientes e por isso os médicos consideravam justificado evitar o uso de analgésicos durante cirurgias e situações semelhantes para evitar reações adversas, destacou o instituto. Mas o trabalho de Bartocci revelou que os cérebros dos bebês prematuros são muito mais desenvolvidos do que se pensava anteriormente.

Seus estudos, - usando espectroscopia infravermelha, mostram que os sinais de dor, desde uma alfinetada, são processados no córtex cerebral dos bebês prematuros da mesma forma que em adultos. Isto indica que - todas as precondições conhecidas para a experiência consciente da dor estão presentes, mesmo que não haja qualquer evidência conclusiva de que eles realmente vivenciam uma experiência dolorosa.

Espera-se que os resultados do estudo, que foi publicado no jornal científico Pain, tenham - um grande impacto no tratamento da dor em bebês recém-nascidos, bem como na abordagem do desenvolvimento infantil em geral, acrescentou o instituto