Com Maria Bethânia, Mangueira vence o Carnaval de 2016

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Com o enredo "Maria Bethânia: a Menina dos Olhos de Oyá", a Estação Primeira de Mangueira conquistou nesta quarta-feira (10) o título de campeã do Carnaval carioca. A escola, cuja última vitória é de 2002, conquistou seu 19º título.

Na apuração desta quarta-feira, a Verde e Rosa, que somou 269,8 pontos, disputou até os últimos quesitos o primeiro lugar com o Salgueiro, que vinha despontando como uma das favoritas e levou à Marquês de Sapucaí o enredo sobre a Ópera do Malandro, além da Portela, que desfilou com o enredo "No voo da águia, uma viagem sem fim..." e saiu da Avenida aos gritos de "É campeã!".

Mais próximo do final da apuração, na Marquês de Sapucaí, porém, a Unidos da Tijuca surpreendeu as favoritas ao título, obtendo 269,7 pontos, empatada com a Portela, e deixou para trás o Salgueiro, que somou 269,5 pontos nos nove quesitos avaliados pelos jurados (Samba-enredo, Enredo, Comissão de Frente, Fantasias, Mestre-sala e Porta-bandeira, Harmonia, Evolução, Bateria e, por fim, Alegorias e adereços.

>>Confira a comemoração da quadra da Estação Primeira

Veja a classificação final do Grupo Especial:

1º Mangueira 269,8 pontos

2º Unidos da Tijuca 269,7 pontos

3º Portela 269,7 pontos

4º Salgueiro 269,6 pontos

5º Beija-Flor 269,3 pontos

6º Imperatriz Leopoldinense 269,2 pontos

7º Grande Rio 268,8 pontos

8º Unidos de Vila Isabel 267,9 pontos

9º São Clemente 267,9 pontos

10º Mocidade 266,7 pontos

11º União da Ilha 265,8 pontos

12º Estácio de Sá  265 pontos

Mangueira explica enredo sobre a Abelha Rainha da música

Na sinopse do enredo, a escola do Morro da Mangueira explica que "A voz de Bethânia ecoa. Voz ancestral, ventre de águas claras onde repousa o Brasil menino. Voz que é o Brasil matuto, caboclo e sertanejo. Pátria indígena onde Tupã reina. Voz que é solo africano, caroço de dendê, água de moringa, búzio de enfeitar trança nagô. Expressão do Brasil épico e dramático. Colorido feito o cetim que adorna quem brinca o reisado. Árido, como o barro seco.  Grave como o voo sonoro do carcará, rapina do sertão, música inaugural, grito que se alastra desde o Opinião. Mergulhada nas canções, Mangueira dá asas aos versos cantados, e, a partir deles, ergue a fantasia que é o pilar de seu carnaval. Prova do mel puro, doce e cristalino – néctar musical – da Abelha Rainha. Desfolha o velho livro. Declama a poesia, seleciona poetas, oferece os mais belos versos. Dá vez ao gesto, faz da folia teatro. Reconstrói o palco, solo sagrado onde a “bordadeira da canção” reina soberana.O vento sopra a cortina de confetes e serpentinas, o Recôncavo deságua no Rio tal qual as águas que lavam os caminhos".

Confira o samba da campeã de 2016:

Raiou… Senhora mãe da tempestade

A sua força me invade, o vento sopra e anuncia

Oyá… Entrego a ti a minha fé

O abebé reluz axé

Fiz um pedido pro Bonfim abençoar

Oxalá, Xeu Êpa Babá!

Oh, Minha Santa, me proteja, me alumia

Trago no peito o Rosário de Maria

Sinto o perfume… Mel, pitanga e dendê

No embalo do xirê, começou a cantoria

Vou no toque do tambor… ô ô

Deixo o samba me levar… Saravá!

É no dengo da baiana, meu sinhô

Que a Mangueira vai passar

Voa, carcará! Leva meu dom ao Teatro Opinião

Faz da minha voz um retrato desse chão

Sonhei que nessa noite de magia

Em cena, encarno toda poesia

Sou abelha rainha, fera ferida, bordadeira da canção

De pé descalço, puxo o verso e abro a roda

Firmo na palma, no pandeiro e na viola

Sou trapezista num céu de lona verde e rosa

Que hoje brinca de viver a emoção

Explode coração

Quem me chamou… Mangueira

Chegou a hora, não dá mais pra segurar

Quem me chamou… Chamou pra sambar

Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá

Não mexe comigo, eu sou a menina de Oyá