Portela exalta suas origens para triunfar na Sapucaí
“Vamos falar sobre os 400 anos de Madureira, seus 90 anos de existência e os 70 anos de Paulinho da Viola. Ao contar a história e formação do bairro, automaticamente narramos a trajetória da agremiação, que está inserida em Madureira”, resume o carnavalesco Paulo Menezes.
Com o enredo Madureira...o meu coração se deixou levar, a azul e branco se apresenta em 2013, em busca de uma vitória, que acabará com o jejum de 29 anos sem títulos. O último título da agremiação foi em 1984, com o enredo Contos de Areia¸ quando houve a inauguração do Sambódromo e o supercampeonato, conquistado junto à Mangueira. Em 2012, a Portela ficou na sexta posição.
Para reverter este quadro, a escola se anima, se prepara e une forças. Segundo Nilo Mendes Figueiredo, presidente da Portela, “ninguém vai para a avenida sabendo que vai ganhar. Todo mundo vai buscando o melhor que puder. Só aí sai o resultado. Ele acrescenta que “ o samba é importantíssimo, e se a comunidade cantar mesmo, nós vamos para a avenida bem. Todas as escolas podem fazer desse jeito”.
Ideia para enredo veio de indagação de célebre sambista
“Iniciamos com um gancho de uma pergunta que Paulinho da Viola se faz no samba Foi um rio que passou em minha vida, de 1970. Naquele momento, ele se questiona de onde vem esse amor todo pela escola, esse mar azul e branco de gente e a partir daí, mergulhamos na história de Madureira", conta Alex Fab, um dos coordenadores de Carnaval sobre o enredo deste ano.
Segundo ele, o estudo segue por trilhas explicativas, começando pela música Meu Lugar, de Arlindo Cruz e Mauro Diniz. “A história é distribuída pelos caminhos históricos, da fé, da cultura, do desenvolvimento, do Carnaval, até chegarmos ao clímax, quando trazemos tudo isso para os 90 anos da Portela. O último setor traz músicas que tiveram Madureira como fonte de inspiração. Encerramos com uma homenagem à escola, mostrando que este bairro é a capital do samba”, ele destaca.
Em relação à crise que atingiu à escola, que englobou falta de material, greve de funcionários e salários atrasados, entre outros agravantes, Alex esclarece que a mudança pela qual a escola passou foi uma pouco mais ligada à área administrativa.
“Na medida em que o vice-presidente (Nilo Figueiredo Júnior, filho do presidente Nilo) por determinação do presidente, passou a ser o gestor financeiro dos processos”, revela o coordenador. "Os recursos que solicitamos por meio de planilhas e cronogramas têm que chegar a tempo e a hora, e isso que nos possibilitou a mudar o panorama”, finaliza.
Dificuldades sendo vencidas e problemas resolvidos à parte, a escola se apressa para finalizar tudo a tempo. De acordo com Alex, tudo estará nos conformes até o dia do desfile. “A Portela é um dos pilares do subúrbio, e nos últimos anos, Madureira tornou-se a capital desta região. Nossa agremiação se sente envaidecida e seus integrantes também”, ele complementa.
Boêmia, jeito suburbano e filhas de bambas serão atrações
Os malandros, presentes na comissão de frente, abrem a passagem da escola na avenida. Sobre o setor, o coreógrafo Márcio Moura faz mistério. “Não posso adiantar muita coisa. O malandro é uma das coisas a serem celebradas, afinal de contas, Madureira é plural", analisa ele.
Márcio escolheu Valci Pelé, grande passista da escola e o ator e diretor Jorge Fernando como as duas pessoas que representam a energia de Madureira e dos portelenses, pelo perfil e alegria dos dois. “ Na minha comissão, preciso de técnica e folia, não adianta ser só burocrático, tem de ter animação”, finaliza.
Diversos artistas que cantaram Madureira ao longo de suas carreiras serão homenageados este ano. E as filhas de dois deles, João Nogueira e Paulinho da Viola, pisarão no Sambódromo de modo especial, como destaque de chão e apresentando os setores nos quais os pais serão citados.
Clarisse Nogueira, cujo nome é inspirado no de sua madrinha, Clara Nunes, descreve sua participação.“Venho na frente da ala que fala da música de meu pai, Alô, alô, Madureira. Minha fantasia é muito colorida; tem bola, pipa, mais adereços e muito brilho”.
Já Cecília Rabello, que tem o mesmo semblante sereno de Paulinho da Viola, vem com uma roupa que se chama Timoneira, assim como o sucesso do pai. “ Fico emocionada por ser filha dele e por ser Portelense, pois ele é uma figura emblemática e importante para a agremiação”, conta.
A Portela cantará suas raízes, o Mercadão, o Viaduto Negrão de Lima e seus bailes charme, o Morro da Serrinha, o Império Serrano, Tia Surica, Monarco, Dorina, os integrantes da Velha Guarda, o jongo, tudo ao som da Tabajara do Samba, bateria da escola, comandada pelo mestre Nilo Sérgio e sob a voz do intérprete Gilsinho.
Alguns dos atributos da torcida portelense são o entusiasmo e a esperança de ver sua escola campeã. Mesmo com todos os contratempos encontrados ao longo dos preparativos para o desfile, a Portela vem animada para a Sapucaí, cantar seu orgulho suburbano, como diz o samba-enredo de 2013 da azul e branco de Madureira.
*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil.
